Delator diz que operou para concessionária de rodovias de São Paulo

Segundo Adir Assad parte de repasses foi para ex-diretor da Dersa ligado ao PSDB

Reynaldo Turollo Jr.
Brasília

O empresário Adir Assad, acusado de usar suas empresas para "gerar" dinheiro vivo para empreiteiras, afirmou em delação que operou para o Grupo CCR, responsável por rodovias em vários Estados, por indicação do ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto.

De março de 2009 até o final de 2012, segundo Assad, o grupo CCR fez vários pagamentos para suas empresas, no total de R$ 46 milhões. Parte do montante voltava aos executivos da CCR em entregas em dinheiro vivo.

Outra parte Assad disse que repassou a Paulo Preto como "comissões decorrentes dos faturamentos para a CCR".

O empresário Adir Assad em depoimento no Congresso em 2012
O empresário Adir Assad em depoimento no Congresso em 2012 - Sergio Lima/Folhapress

 

Paulo Preto foi diretor de engenharia da estatal paulista Dersa de 2007 a 2010, no governo José Serra (PSDB). Na semana passada, veio à tona a informação de que uma offshore ligada a ele mantinha quatro contas na Suíça com R$ 113 milhões. 

A apuração sobre as contas é tocada pelo Ministério Público Federal em São Paulo. A defesa de Paulo Preto tenta levá-la para o Supremo Tribunal Federal, onde ele é alvo de inquérito junto com Serra.

O trecho da delação de Assad integra uma investigação da Lava Jato em Curitiba que trata de suposto esquema em concessões de rodovias, com foco inicial no Paraná.

Assad disse que Paulo Preto o indicou em 2009 para conversar com Renato Vale, presidente da CCR, e que foi ao escritório da empresa em São Paulo para apresentar a Vale "a Stock Car e suas operações ilícitas via Rock Star como meio para fazer caixa". 

A Rock Star era uma empresa de Assad que tinha uma equipe de corrida na modalidade Stock Car, que passou a ser patrocinada pela CCR.

O delator citou os nomes de outros executivos da CCR com quem se relacionou e apresentou e-mails, notas fiscais e contratos de patrocínio supostamente superfaturados para corroborar seu relato às autoridades.

OUTRO LADO

O grupo CCR disse que não teve acesso à delação, mas abriu apuração interna. A empresa afirmou que fez contrato com a Rock Star em 2009 para divulgar sua marca e que o serviço foi prestado.

O advogado de Paulo Preto, Daniel Bialski, disse que seu cliente "nunca teve qualquer relação comercial ou íntima" com Assad e não indicou empresas a ele. 

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