'Está nas mãos de Deus', diz Jefferson sobre indicação de Cristiane

Segundo Marun, governo continuará a insistir na nomeação dela junto ao Supremo

Gustavo Uribe
Brasília

Com a revelação de mais denúncias contra a sua filha Cristiane Brasil, o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, disse que a indicação dela para o Ministério do Trabalho "está nas mãos de Deus". 

O presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, durante entrevista à Folha
O presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, durante entrevista à Folha - Mateus Bonomi - 16.jan.2018/Folhapress

"Não falo mais sobre o assunto", disse à Folha quando perguntado se manteria a decisão de indicar a deputada federal.

No sábado (3), no entanto, ele defendia abertamente a nomeação da filha e ressaltava que ela não sairia do episódio como "bandida".

A mudança de postura também ocorreu no Palácio do Planalto.

O aumento do desgaste sofrido pela parlamentar fez com que auxiliares presidenciais passem a avaliar, em conversas reservadas, a possibilidade de nomeação de outro nome do PTB.

Para eles, o tema, que antes era discutido apenas na esfera trabalhista, ganhou maior gravidade com a revelação de que a parlamentar é investigada por suspeita de associação ao tráfico de drogas durante a campanha eleitoral de 2010. 

 

SUBSTITUIÇÃO

A aposta do entorno do presidente é de que o próprio Roberto Jefferson desista da indicação para evitar que a filha seja alvo de novas acusações, que poderão afetar a sua reeleição ao cargo.
 
O principal nome discutido na bancada do partido, caso a deputada federal desista do cargo, é o de Alex Canziani (PR).
 
Apesar da mudança de percepção na equipe presidencial, o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, saiu em defesa da parlamentar nesta segunda-feira (5).
 
Segundo ele, o governo federal continuará a insistir na nomeação dela junto ao STF (Supremo Tribunal Federal) e não solicitará ao PTB que faça outra indicação.
 
Na opinião dele, "não existe nada que efetivamente denigra o nome da parlamentar".
 
"Há momentos em que um governo deve se dispor a fazer aquilo que não é mais fácil, mas o que é necessário", disse.
 
Cristiane foi condenada por dívidas trabalhistas, e a Justiça Federal em Niterói (RJ) suspendeu sua posse sob o argumento de que ela não atende ao requisito de moralidade administrativa para o cargo.
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