Governo quer que PTB indique outro nome para Trabalho

Expectativa é que a decisão parta do presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson

Gustavo Uribe Daniel Carvalho
Brasília
Com a revelação de novas denúncias contra Cristiane Brasil, o Palácio do Planalto passou a defender que o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, indique outro nome para o comando do Ministério do Trabalho.
 
A avaliação, feita de maneira reservada por assessores e auxiliares presidenciais, é de que mesmo que consiga assumir a pasta, a deputada federal continuará a causar desgaste ao presidente Michel Temer.
 
O inquérito que a investiga por suspeita de associação ao tráfico de drogas durante a campanha eleitoral de 2010 foi remetido à Procuradoria-Geral da República, que dará prosseguimento a ele mesmo que o STF (Supremo Tribunal Federal) permita a posse da parlamentar.
 
Para a equipe presidencial, as críticas à filha de Jefferson, que antes eram restritas à esfera trabalhista, ganharam mais peso com a revelação da investigação, agravando o impacto político de uma nomeação da parlamentar sobre a imagem do presidente, cujo índice de rejeição já é alto.
 
Em conversas reservadas, o emedebista tem reconhecido que a situação da deputada federal é difícil, mas pondera que a decisão deve partir do presidente nacional do PTB. Ele avalia que, às vésperas da votação da reforma previdenciária, não é o momento de melindrar um partido da base aliada.
 
“A indicação é do PTB. É o PTB que tem que, se for o caso, avaliar se quer ou não quer continuar”, disse o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha.
 
A aposta do entorno do presidente é de que Jefferson deve acabar cedendo e desistindo da indicação para evitar que a filha seja alvo de novas acusações, que poderão afetar a sua reeleição ao cargo na disputa deste ano.
Se o PTB abrir mão da parlamentar, o principal cotado para a pasta é o deputado federal Alex Canziani (PTB-PR).
 

'DEUS'

Na segunda-feira (5), o presidente nacional do PTB mudou de postura em relação ao final de semana. Segundo ele, a indicação da filha para o cargo “está nas mãos de Deus”.“Não falo mais sobre o assunto”, disse à Folha.
 
No sábado (3), no entanto, ele defendia abertamente a manutenção da indicação da parlamentar pelo PTB e ressaltava que ela não sairia do episódio como “bandida”.
 
Em nota pública, Cristiane disse nesta segunda-feira (5) que está sendo alvo de um julgamento político e pediu celeridade à presidente do STF, Cármen Lúcia, que suspendeu temporariamente a posse no dia 22 de janeiro e não voltou a se manifestar até o momento.
 
“Venho sofrendo uma campanha difamatória que busca impedir minha posse”, afirmou.

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