Reynaldo Turollo Jr.
Brasília

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou nesta sexta (2) a abertura de um inquérito para investigar o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab (PSD), citado no acordo de delação da JBS firmado com a Procuradoria-Geral da República no ano passado.

Um dos donos da JBS, Wesley Batista, hoje preso, afirmou que pagou propina de R$ 350 mil por mês a uma empresa ligada a Kassab, a Yape Consultoria e Debates, envolvendo contratos superfaturados de aluguel de caminhões. O valor total atingiria cerca de R$ 30 milhões.

Segundo Wesley, seu grupo empresarial herdou esse contrato ao comprar o frigorífico Bertin, em 2009, e decidiu manter os pagamentos por considerar que Kassab teria influência em algum momento.

Antes de ser ministro do governo Michel Temer, Kassab foi ministro das Cidades de Dilma Rousseff. De 2006 a 2012, ele foi prefeito de São Paulo.

Outro delator, Ricardo Saud, disse que na campanha de 2014 Kassab recebeu R$ 7 milhões pagos pela JBS como parte de um acordo entre o PT e o PSD. Esse montante, segundo Saud, foi pago por meio de notas fiscais frias de uma empresa de um irmão de Kassab.

Moraes atendeu a um pedido da PGR para abrir investigação e será relator do caso no Supremo. As suspeitas são de corrupção passiva e falsidade ideológica eleitoral.

OUTRO LADO

Procurador por meio de sua assessoria, o ministro Kassab disse, em nota, que entende que "a apuração será uma oportunidade para demonstrar, de forma definitiva, a lisura de todos os seus atos".

"Como já afirmou anteriormente, [Kassab] entende que as pessoas que estão na vida pública estão corretamente sujeitas à especial atenção do Judiciário, e ressalta sua tranquilidade e confiança na Justiça", diz o texto.

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