Presidente da Fecomércio-RJ é preso em desdobramento da Lava Jato no Rio

Policiais federais tentam cumprir outros três mandados de prisão

Sérgio Rangel Felipe Bächtold
Rio de Janeiro

O presidente da Fecomércio-RJ (Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro), Orlando Diniz, foi preso na manhã desta sexta (23) durante a Operação Jabuti, uma etapa da Operação Calicute, desdobramento da Lava Jato no Rio.

O presidente da Fecomércio-RJ, Orlando Diniz, chega à sede da PF, no Rio - Reginaldo Pimenta/Raw Image

Os investigadores apuram indícios de que Diniz tenha usado o esquema de lavagem de dinheiro montado pela organização criminosa comandada pelo ex-governador Sérgio Cabral (MDB).Segundo a PF, a entidade pagou com seus recursos R$ 180 milhões em honorários a escritórios de advocacia, sendo que R$ 20 milhões tinham como destino o escritório de Adriana Ancelmo, mulher de Cabral, em troca de vantagens na administração estadual.

 
Cabral e Diniz eram vizinhos em um prédio no Leblon (zona sul da cidade) e em uma praia em Mangaratiba, no litoral sul do Estado.
 
A Operação Jabuti prendeu outras três pessoas ligadas à Fecomércio-RJ e apontou que o emedebista foi beneficiado também por meio da contratação de ao menos seis funcionários fantasmas que eram formalmente vinculados ao Sesc e ao Senac, mas que trabalhavam para o ex-governador.
 
Entre eles, estavam parentes de seus auxiliares, como o operador Carlos Miranda, sua chef de cozinha e sua governanta. O total de pagamentos foi de R$ 7,7 milhões.
 
Essa fase da Lava Jato apontou ainda lavagem de R$ 3 milhões por meio de uma empresa de Diniz, a Thunder, com a participação de Cabral e anuência do ex-governador.
 

Diniz foi preso em um dos seus apartamentos no Leblon, zona sul do Rio.

Em dezembro do ano passado, Diniz foi afastado do comando do Sesc (Serviço Social do Comércio) e Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) no Rio por suspeita de irregularidades.

Ele já era investigado pelo TCU (Tribunal de Contas da União) por supostos pagamentos indevidos de entidades do Sistema S à Fecomércio-RJ. De acordo com o tribunal, o prejuízo aos cofres públicos pode chegar a R$ 46 milhões.

Em 2012, a administração nacional do Sesc iniciou um processo de intervenção na regional Rio por suspeitas de mau uso do dinheiro público. Diniz foi afastado e chegou a conseguir voltar por força de liminar. Ao fim da intervenção, reassumiu o comando do sistema e “tratou de viabilizar o reconhecimento” das dívidas.

OUTRO LADO

A defesa de Orlando Diniz diz que as acusações são infundadas e que vai provar sua inocência. Diz ainda que “inverdades” vão resultar na destruição de projetos importantes para a sociedade. Afirma ainda que ele está à disposição das autoridades para esclarecimentos.
 
A defesa de Sérgio Cabral diz que a operação desta sexta-feira seguiu o roteiro de outras investigações contra ele, em que um suspeito receberá algum benefício depois de acusar o ex-governador. “A única dúvida é sobre quem será o delator (e beneficiário) desta vez.”
 
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