Réu na Lava Jato, Raul Schimidt é preso em Portugal

As autoridades brasileiras aguardam providência sobre possível extradição

Giuliana Miranda
Lisboa

O luso-brasileiro Raul Schmidt, apontado pela Lava Jato como operador de esquemas de corrupção na Petrobras, foi preso na tarde deste sábado (3) em Portugal.

O executivo foi localizado pela polícia em uma região a cerca de uma hora de Lisboa.

Foto de  Raul Schmidt Felippe Junior, de casaco bege e fazendo gesto com a mão
O luso-brasileiro Raul Schmidt Felippe Junior, investigado pela Lava Jato - Reprodução

Schmidt tinha um mandado de prisão emitido no dia 24 de janeiro e era considerado foragido.

Autoridades portuguesas dizem que a expectativa é que ele seja extraditado em breve para o Brasil.

No fim de janeiro, o Tribunal da Relação de Lisboa considerou que o caso transitou em julgado: ou seja, não há mais possibilidade de recursos para impedir sua transferência para o Brasil.

Em nota, a Polícia Federal do Paraná afirmou que as autoridades brasileiras agora aguardam as próximas providências e a possível extradição para o Brasil com destino a Curitiba, local onde responde a ação penal perante à 13ª Vara Federal.

Considerado um dos maiores operadores da Lava Jato, Schmidt responde a duas ações no âmbito da operação, onde é investigado por suspeita de pagamento de propina aos ex-diretores da Petrobras Renato Duque, Jorge Zelada e Nestor Cerveró.

Naturalizado português em 2011, Raul Schmidt fugiu para Portugal em 2015, quando o cerco aos investigados na operação ficou mais intenso.

Ele foi preso em Lisboa em março de 2016, em uma operação conjunta das autoridades brasileiras e portuguesas. Após um tempo na prisão, ele foi liberado para aguardar a definição de seu processo em liberdade, com a condição de que não saísse do país e fizesse apresentações periódicas à Justiça.

A defesa de Schmidt vem tentando usar uma alteração recente na lei de nacionalidade de Portugal para tentar impedir sua extradição.

A partir de julho de 2017, o tipo de nacionalidade que é concedido aos netos de cidadãos portugueses, como é o caso de Schmidt, foi alterado.

Em vez de serem considerados naturalizados em que os efeitos da nacionalidade valem a partir da data de obtenção, os netos de portugueses agora recebem a chamada cidadania de origem, com efeito desde o nascimento.

Com base nisso, seus advogados afirmam que a extradição passa a ser ilegal, uma vez que Schmidt deixaria de ser naturalizado, tendo ganhado o status de português de nascença.

Procurado, o advogado de Raul Schmidt não respondeu às questões da reportagem sobre a prisão.

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