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Lei tem que valer para todos igualmente, diz Marina Silva sobre Lula

Presidenciável da Rede assinou acordo com membros da Frente Favela Brasil em São Paulo

Joelmir Tavares
São Paulo

Para o rico ou para o pobre, para o anônimo ou para quem tem popularidade, a lei é uma só e não pode mudar em função do réu, afirmou a ex-senadora Marina Silva ao fim de evento da Rede, em São Paulo, nesta sexta-feira (23). Um dia antes, o STF (Supremo Tribunal Federal) concedeu liminar que favoreceu o ex-presidente Lula (PT).

"A nossa preocupação é de que a Justiça funcione sem dois pesos e duas medidas", disse a presidenciável e ex-ministra do petista sobre a decisão do Supremo. "Nós temos uma lei que diz que, após a segunda instância, é para cumprir a pena. E a lei não pode mudar em função do julgado. Não é só para o Lula, é para qualquer pessoa que esteja sendo julgada."

A ex-senadora Marina Silva fala ao microfone durante evento e olha para outros participantes da mesa
Marina Silva durante a assinatura de parceria da Rede com a Frente Favela Brasil em São Paulo - Avener Prado/Folhapress

Marina afirmou ainda que a Lei da Ficha Limpa não deve fazer distinções. O petista e seus apoiadores têm a intenção de manter a candidatura dele à Presidência mesmo após a condenação no caso do tríplex de Guarujá (SP).

O encontro de lideranças da Rede era para assinar uma aliança com o movimento Frente Favela Brasil (FFB) no estado de São Paulo. Pelo acordo, a legenda se dispõe a abrigar os candidatos da frente, que está em fase de formação como partido e não obteve registro oficial a tempo de disputar o pleito de outubro.

Pelo menos dez pré-candidatos a deputado entrarão na sigla de Marina, segundo Nilza Camillo, presidente do núcleo paulista da FFB. Integrantes da organização, no entanto, estão livres para aderir a outras siglas.

O grupo foi procurado também por partidos como PSB e PSOL. A Rede, de acordo com Nilza, acabou sendo escolhida porque ofereceu ajuda para coletar as assinaturas necessárias para a oficialização da FFB como partido.

"Eles passaram por isso recentemente [tiveram a criação deferida em 2015], podem nos ajudar nesse processo de conseguir os apoios", afirmou ela durante o evento com a pré-candidata, que reuniu cerca de 25 pessoas em um coworking (espaço compartilhado de trabalho) na região de Pinheiros.

O diretório nacional da FFB disse nesta semana que não fez coligação no plano federal com nenhum partido. A aliança em São Paulo foi decidida pelos representantes locais, modelo que deve se repetir em outros estados, já que as células do movimento têm autonomia.

Segundo Marina, o acordo com a frente não representa uma cooptação do movimento pelo partido, mas uma tentativa de interação, com discussão de propostas e colaboração em campanhas. "Não é uma coisa para a gente ficar disputando a militância. É para uma convivência."

Saída de deputados

A aproximação de movimentos como a FFB coincide com o momento em que a Rede enfrenta a perda de parlamentares —os deputados federais Alessandro Molon (RJ) e Aliel Machado (PR) deixaram a sigla em fevereiro rumo ao PSB.

Na semana passada, o partido de Marina assinou com o grupo Acredito um acordo similar ao fechado com a FFB.

A perda de filiados no Congresso preocupa a presidenciável porque ameaça sua presença em debates na TV durante a campanha —um partido precisa ter no mínimo cinco congressistas para que seu candidato participe dos programas com os adversários.

A sigla tem que atrair no mínimo dois nomes para atingir o patamar. Segundo interlocutores, a líder da Rede convidou os senadores Reguffe (sem partido-DF) e Cristovam Buarque (PPS-DF) para se filiarem. Cristovam é pré-candidato de seu partido à Presidência da República, mas tem feito acenos na direção da ex-senadora.

Marina disse nesta sexta-feira que os diálogos com organizações de renovação política já estavam em curso há meses e não têm relação com o êxodo de parlamentares. "A gente está falando da aliança com núcleos vivos da sociedade desde 2010", afirmou.

​A adesão dos movimentos pode não representar uma salvação imediata, mas tende a produzir efeitos positivos para o partido caso integrantes desses grupos que estejam filiados consigam se eleger em outubro.

Eles ajudariam o partido a manter representatividade no Congresso e a garantir, por exemplo, o acesso a recursos públicos. Muitos dos novos membros, no entanto, estão se filiando sem o compromisso de votar conforme orientações da sigla ou de participar das atividades partidárias.

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