Descrição de chapéu Eleições 2018

Marina discute independência do BC e outros pontos de programa de governo

Presidenciável se reuniu com conselheiros para debater plano nesta segunda (26)

Joelmir Tavares
São Paulo

A ex-senadora Marina Silva (Rede) defenderá em seu programa de governo a independência do Banco Central, mas sem estipular que a autonomia seja garantida por força de lei.

Marina Silva durante entrevista após reunião para debater programa de seu governo nesta segunda (26)
Marina Silva durante entrevista após reunião para debater programa de seu governo nesta segunda (26) - Eduardo Anizelli/Folhapress

“A independência do Banco Central não precisa de institucionalização, o que ele não pode é ser usado politiqueiramente”, afirmou a presidenciável nesta segunda-feira (26), ao se reunir em São Paulo com conselheiros de diferentes áreas para começar a discutir seu plano de campanha.

O economista Eduardo Giannetti da Fonseca, principal auxiliar dela para o tema em 2014, participou do encontro. Naquele ano, ele e a ex-senadora, que era vice de Eduardo Campos (PSB), já eram contrários à independência formal.

Mas, como Campos já vinha defendendo a medida, Marina acabou cedendo e aderiu à bandeira do socialista. Na época abrigada no PSB, já que a Rede ainda não havia conseguido se viabilizar, ela assumiu a posição pró-institucionalização e a manteve mesmo após a morte do cabeça de chapa, no meio da campanha.

Segundo a ex-senadora, naquela ocasião o programa de governo foi mediado em uma coligação, o que impunha negociação sobre alguns aspectos. Agora, ela defenderá a autonomia operacional do órgão.

A campanha de Dilma Rousseff (PT), adversária de Marina na eleição passada, usou a defesa de autonomia do BC para insinuar no horário eleitoral que, num governo da então candidata, faltaria comida na mesa do brasileiro.

O argumento do anúncio petista era que, nesse modelo, “os bancos assumem um poder que é do presidente e do Congresso”. Marina se ressente ainda hoje das críticas sofridas na eleição passada, que para ela tinham o objetivo de desconstruí-la de maneira caluniosa.

Ao lado do ambientalista João Paulo Capobianco, coordenador de programa da campanha à Presidência, a ex-senadora disse que o novo conjunto de propostas será uma atualização do de 2014. E repetiu o mantra de que irá propor uma “agenda de desenvolvimento econômico e social, mas com a proteção dos recursos naturais”.


Segundo Marina, o programa para 2018 abordará a busca do crescimento econômico como chave para a geração de empregos e tratará da questão da segurança pública no patamar nacional, levando o governo federal a assumir mais responsabilidades.

“Em 2010 eu já dizia que o debate [da segurança] tinha que ser nacional, e agora ele vai ser, queiram ou não queiram aqueles que ficaram décadas no governo tratando o problema como se ele fosse só dos estados”, afirmou ela.

Além de Giannetti, participam das discussões convidados como: o economista Ricardo Paes de Barros, o ativista Márcio Santilli, o embaixador Rubens Ricupero e a advogada indígena Joênia Wapichana. Marina também ouve o ambientalista e ex-vereador Ricardo Young e a ex-senadora Heloísa Helena.

A Rede diz que quer elaborar seu programa de governo com a participação da sociedade. Estão previstos debates públicos, além do lançamento de uma plataforma na internet para receber contribuições e discutir propostas.

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