Rio terá cenário para eleição fragmentado em razão da crise

Intervenção federal na segurança e ruína financeira tornam imprevisíveis os prognósticos

Felipe Bächtold
Rio de Janeiro

Com líderes políticos na cadeia, a eleição para governador do Rio neste ano se projeta sem um favorito destacado e em um cenário de grande pulverização.

Entre os pré-candidatos, estão veteranos como Anthony Garotinho (PR) e Miro Teixeira (Rede) e nomes de fora da política tradicional, como o treinador de vôlei Bernardinho, cogitado pelo Novo.

O político de maior expressão do estado, o ex-prefeito Eduardo Paes, vai deixar o MDB e conversa com o PSDB ou PP. Não terá facilidades se tentar o governo, no entanto: além de identificado com a atual gestão, de Luiz Fernando Pezão, precisará recorrer de uma decisão do Tribunal Regional Eleitoral que o tornou inelegível por oito anos por abuso de poder na eleição municipal de 2016.

O ex-prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, no desfile das campeãs do carnaval do Rio. Está de camisa branco e chapéu panamá
O ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes cogita sair candidato ao governo - Marcelo Fonseca - 18.fev.2018 /Folhapress

Sem ele, o MDB, que governa o Rio há 15 anos, se vê sem alternativas. O diretório estadual hoje é tocado por filhos de dois políticos presos: o deputado federal Marco Antônio Cabral, filho de Sérgio Cabral, e Leonardo Picciani, ministro do Esporte de Michel Temer e filho de Jorge Picciani, presidente da Assembleia.

Uma opção seria apoiar o grupo político de Paes, movimento que enfrentaria resistência caso ele vá para o PSDB. Como atrativos, além da máquina estadual, o MDB conta com o maior tempo de TV e boa estrutura pelo estado.

Leonardo Picciani diz que a direção estadual precisará aguardar também a definição de como o MDB nacional vai se posicionar em relação à disputa presidencial.

O DEM tenta convencer o vereador do Rio César Maia a se candidatar. O partido articula a candidatura de Rodrigo Maia, filho de César, a presidente.

Um dos poucos com candidatura já confirmada é o deputado federal Índio da Costa (PSD), que deve se aliar ao PRB, do prefeito Marcelo Crivella. O deputado deixou o secretariado municipal neste ano para concorrer.

"Há um cenário aberto porque a maior força daqui, que foi um bloco monolítico que mandou por 20 anos, foi para a cadeia", diz Indio.

Bernardinho pode encarnar o papel de "antipolítico", que foi bem-sucedido em algumas partes do país na eleição para prefeito de 2016. Ainda não há uma definição se ele irá mesmo concorrer, porém. Em 2014, chegou a ser convidado para disputar o cargo pelo PSDB e não quis.

No campo da esquerda, o PT também deve lançar o seu "outsider": o ex-ministro das Relações Exteriores e da Defesa Celso Amorim, que nunca disputou eleição. PDT, PSOL e PC do B também articulam candidaturas próprias.

Os imprevisíveis próximos passos da Lava Jato, que avança sobre variados setores econômicos e políticos, e os efeitos da intervenção federal na segurança, com uma série de operações militares, tornam os rumos da campanha ainda mais incertos.

Para o professor de ciência política Ricardo Ismael, da PUC-RJ, a segurança deve novamente ser decisiva, com a ação militar no estado ganhando destaque.

"O tema da segurança, antes da intervenção, já seria o ponto-chave do debate, além das finanças. Com a intervenção, todo mundo terá que se posicionar. Se a eleição fosse hoje, aqueles que a defendem teriam vantagem."

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