Alckmin lamenta situação de Aécio, mas diz que Justiça é para todos

Ministros da Primeira Turma do STF aceitaram denúncia contra o senador tucano por corrupção e obstrução da Justiça

Ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin durante inauguração de estação do monotrilho
Ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin durante inauguração de estação do monotrilho - Rivaldo Gomes - 6.abr.2018/Folhapress
Gustavo Uribe
Brasília

O presidente nacional do PSDB, Geraldo Alckmin, lamentou nesta terça-feira (17) a situação de seu companheiro de partido Aécio Neves, que se tornou réu, mas ressaltou que a lei no país deve ser para todos.

Por unanimidade, os ministros da Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) aceitaram nesta terça-feira (17) denúncia contra o senador tucano por corrupção passiva e obstrução judicial.

Na saída de evento em Brasília, o também pré-candidato presidencial afirmou ter visto o episódio com tristeza e observou que o senador mineiro ainda terá a oportunidade de se defender.

"Não existe justiça verde, amarela, azul ou vermelha. Só existe Justiça. Decisão judicial se respeita e a lei é para todos, sem distinção", afirmou.

Apesar de ter lamentado, Alckmin negou que o episódio cause embaraço ao partido ou à sua candidatura. Segundo ele, cabe apenas a Aécio agora definir se será candidato nas eleições deste ano.

"Cabe a ele definir o que vai fazer e como fazer", disse.

O ex-governador de São Paulo ministrou palestra nesta terça-feira (17) em encontro nacional de vereadores, promovido na capital federal.

No seu discurso, em resposta a um dos vereadores, ele chegou a afirmar que "quem fica rico na política é ladrão". Em março, a Folha mostrou que, depois das eleições de 2014, o patrimônio de Aécio triplicou

Perguntado posteriormente se a frase também se referia ao senador tucano, Alckmin negou. "Não vou fazer pré-julgamento. Aécio é de uma família abastada", respondeu.

Com dificuldades de crescer nas pesquisas eleitorais, o tucano se apresentou aos vereadores presentes como o candidato da conciliação, que trabalhará para unir um país dividido.

"Através do diálogo, precisamos unir o país. Não podemos continuar com esse radicalismo", disse ele, criticando também a intolerância.

Na tentativa de conseguir votos junto a eleitores de direita, o tucano tem feito um contraponto ao deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ). 

Na segunda-feira (16), por exemplo, ele afirmou que o voto no parlamentar é um passaporte para o retorno do PT.

Segundo a última pesquisa Datafolha, em São Paulo, Alckmin hoje está empatado no primeiro turno com Bolsonaro e Marina Silva, da Rede. 

"Nós precisamos de uma grande conciliação nacional, com a refundação dos Três Poderes da República", defendeu. 

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