Descrição de chapéu Eleições 2018

Meirelles se filia ao MDB sem garantia de que será o candidato ao Planalto

Ministro da Fazenda tentou se manter no jogo e disse que composição da chapa ainda não foi definida

Marina Dias Talita Fernandes
Brasília

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, filiou-se ao MDB nesta terça-feira (3) ainda sem a certeza de que será o candidato do partido ao Planalto nas eleições de outubro, mas fez questão de tentar se manter no jogo.

Ministro Henrique Meirelles (Fazenda) em ato de filiação ao MDB, partido do presidente Michel Temer
Ministro Henrique Meirelles (Fazenda) em ato de filiação ao MDB, partido do presidente Michel Temer - Pedro Ladeira/Folhapress

O projeto eleitoral do ministro está sendo asfixiado pelo desejo do presidente Michel Temer de concorrer à reeleição, mesmo sendo alvo de dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal e registrar baixíssima popularidade. 

Questionado diversas vezes por jornalistas sobre se seria o vice de Temer, Meirelles fez questão de dizer que tem projeto de candidatura a presidente e que ainda haverá discussão sobre a "melhor composição da chapa".

Ele deixa a chefia da equipe econômica nesta sexta-feira (6) para tentar viabilizar sua candidatura, ao mesmo tempo em que Temer trabalha na mesma direção.

As imagens e o jingle que estampavam o evento de filiação na sede do partido, porém, traziam sempre Temer em primeiro plano. Tanto na foto, como na música pouco criativa: "M de Michel, M de Meirelles , M de MDB".

Durante seu discurso de pouco menos de dez minutos, Meirelles cumpriu o acordo que firmou Temer nas últimas semanas para se filiar à legenda: defendeu o legado do governo e citou nominalmente o presidente.

"Esse legado não pode ser perdido nem esquecido, é preciso perseverar e insistir na direção certa", disse o ministro. "Volto ao MDB para continuar servindo ao Brasil e aos brasileiros", completou.

Meirelles ressaltou as melhoras nos índices econômicos, que usará de trunfo durante sua pré-candidatura, mas não citou a reforma da Previdência —que naufragou no início deste ano por falta de apoio do governo no Congresso— ou a reforma trabalhista, que deve caducar também por falta de respaldo parlamentar.

Já com pompas de candidato, disse que seu retorno ao partido era natural e tentou abrir caminho para a pauta social —o governo Temer tem a pecha de ter focado sua atuação apenas em medidas de ajuste fiscal. Meirelles disse que o MDB entendeu que a construção de uma "sociedade justa depende do crescimento da economia" e que o presidente inova no apoio a programas sociais.

"Só teremos um país justo quando um filho de operário tiver a mesma oportunidade que o filho de um médico", disse o ministro, citando uma frase bastante conhecida da retórica do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em seguida, vaticinou: "E essa não é uma bandeira da esquerda ou da direita".

AFAGOS

Temer, em seu discurso, também fez acenos a Meirelles e disse que o ministro está habilitado a ocupar qualquer cargo do país. "Não tenho a menor dúvida disso", disse.

Já o presidente do MDB, Romero Jucá (RR), afirmou que o partido estava ganhando "um filiado de grande expressão, um homem público que tem uma história irreconhecível, profissional do mais alto quilate internacional".

O senador defendeu mais uma vez que a legenda tenha candidatura própria ao Planalto. Jucá avalia, nos bastidores, que uma candidatura de Temer poderia trazer ainda mais desgaste ao partido e Meirelles seria um nome politicamente mais neutro nesse cenário.

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