Grupos de renovação política e organizações promovem ação pela democracia neste domingo

Além de atividades em prol da tolerância e do diálogo,  será apresentado um pacto em torno das eleições

O assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL), os tiros que atingiram a caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no sul do país, as ameaças sofridas pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin e a declaração do comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, na véspera do julgamento do habeas corpus de Lula na corte, tem um ponto em comum: a ameaça à democracia.

Essa é a análise feita pelo Nova Democracia, iniciativa que reúne movimentos de renovação política e organizações, como Agora, Acredito, Construção e Transparência Internacional. Foi a partir do grupo que surgiu a proposta do "Dia pela Democracia", um momento para defender princípios democráticos e o processo eleitoral. Atividades culturais, rodas de conversa e debates serão realizados no domingo (22), das 10h às 17h, na Avenida Paulista, em frente ao vão do MASP.

Além da programação do dia, na plataforma virtual (https://www.diapelademocracia.org) também é possível ler o “pacto pela democracia”, documento que será lançado domingo. Em quatro semanas, 42 organizações já aderiram à proposta.

A página ficará aberta para novas adesões e as organizações que desejarem poderão promover atividades semelhantes em outras cidades, voltando a ocupar a praça, um lugar que tem ficado vazio, segundo um dos coordenadores da ação, o advogado José Marcelo Zachi.

Ele explica que a proposta é promover o diálogo, ouvir o que as pessoas pensam sobre democracia. Uma das atividades de domingo propõe que pessoas desconhecidas falem suas opiniões sobre diferentes temas. Na reunião preparatória, um dos participantes perguntou: pode levar alguém da família?, conta, afinal, para muitos esse é um espaço de divergências.

Zachi afirma que a tolerância e o pluralismo de ideias têm sido desafiados, assim como o respeito às instituições. “Essa fenda democrática pode se converter num abismo que devore a todos nós”, diz.

O pacto seria um caminho, segundo ele, para propor o respeito à tolerância, mobilizar a sociedade em torno de eleições íntegras, limpas e transparentes e por uma reforma política.

Após o Dia da Democracia, a tarefa dos movimentos será colocar essa proposta em prática e após as eleições, cobrar do Congresso uma consulta pública sobre a reforma.

Resolver o problema por meio do diálogo foi o que atraiu a diretora do Advocacy Hub, Daniela Castro, a aderir ao movimento. Segundo ela, esse é um espaço para discutir questões estruturais, cobrar mudanças e criar uma agenda pela reforma. “Se a gente não se mobilizar, não vai sair”, diz.

Um dos cofundadores do Agora, Beto Vasconcelos afirma que a motivação do grupo é agir diante do cenário de tensão política e econômica existente no país e fortalecer o processo eleitoral. “Será um trabalho de conscientização permanente do valor e poder do voto de cada cidadão e cidadã como instrumento efetivo de mudança e transformação da vida social, política e econômica do país.”

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.