MST invade fazenda de Maroni e sede de afiliada da Globo na Bahia

Empresário fez ato de comemoração à prisão do do ex-presidente Lula

João Pedro Pitombo
Salvador

O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra) invadiu nesta terça-feira (17) uma fazenda do empresário Oscar Maroni, dono do Bahamas Hotel Club, no município de Araçatuba (552 km de São Paulo). Segundo os organizadores, cerca de 300 militantes participam da manifestação e pregam "reforma agrária nas terras dos golpistas".

No início do mês, Maroni distribuiu 9.000 latas de cerveja em frente ao Bahamas Club em comemoração ao decreto de prisão do ex-presidente Lula. O petista está preso desde o dia 7 na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. Ele cumpre pena de 12 anos e um mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá.

Bandeiras do MST na entrada de fazenda atribuída ao empresário Oscar Maroni, dono do Bahamas Hotel Club, no município de Araçatuba
Entrada de fazenda atribuída ao empresário Oscar Maroni, dono do Bahamas Hotel Club, no município de Araçatuba (SP) - Divulgação/MST

Também nesta terça, cerca de 250 militantes invadiram a sede da TV Bahia, afiliada da Rede Globo no estado. Os militantes chegaram por volta das 5h e entraram na área do estacionamento da emissora. Inicialmente, houve piquete e os funcionários foram impedidos de entrar e sair da empresa.

Depois de negociações com a Polícia Militar da Bahia, os militantes liberaram a entrada dos funcionários e prometeram deixar o prédio da emissora por volta das 10h. Não houve depredações.

“Nosso objetivo não é causar dano. E denunciar o golpe contra a democracia e as empresas que o apoiaram”, afirma Sebastião Lopes, membro da diretoria do MST na Bahia.

Além da sede da afiliada da Globo, os manifestantes também fizeram invasões de terra nas cidades de Santo Amaro, Recôncavo Baiano, e Eunápolis, extremo-sul do estado.

Em nota, a Comunicação da Globo ​afirmou que a rede "entende que protestar é um direito do cidadão, sempre que dentro da legalidade. A empresa considera que toda intimidação ao trabalho da imprensa é uma tentativa de censura e uma afronta aos princípios constitucionais. E aproveita para reiterar que cobre os fatos com isenção e profissionalismo e que assim continuará a fazer o seu trabalho".

A Rede Bahia afirmou que a hostilidade sofrida hoje representa uma agressão aos meios de comunicação do Estado e a todos os profissionais de imprensa.

“A Rede Bahia defende vigorosamente a liberdade de imprensa e a segurança dos profissionais que trabalham no exercício da comunicação, destacando que o trabalho do jornalista e da imprensa são direitos constitucionais assegurados e que contribuem significativamente para a democracia”.

Também em nota, a Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão) disse considerar inaceitável que integrantes do MST façam uso da força para invadir veículos de comunicação, impedindo a rotina de funcionários e cerceando a imprensa.

“Qualquer tentativa de impedir o trabalho da imprensa é um ataque ao direito da sociedade de acesso às informações de interesse público e à liberdade de expressão”, informou a entidade em nota.

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