Para Álvaro Dias, provocação levou a tiros contra caravana de Lula

Pré-candidato do Podemos diz que ataque no Paraná pode ter sido 'encenação'

O senador Álvaro Dias (Podemos-PR), pré-candidato à Presidência
O senador Álvaro Dias (Podemos-PR), pré-candidato à Presidência - Adriano Vizoni/Folhapress
Fábio Zanini Fernando Canzian
São Paulo

O senador paranaense Álvaro Dias, 73, pré-candidato à Presidência pelo Podemos, afirma que o atentado à caravana do ex-presidente Lula em seu estado na semana passada pode ter sido "encenado" e que a violência ocorreu porque "houve provocação" do petista.

"O ex-presidente não está em campanha. É um condenado à prisão. Está afrontando a legalidade democrática", disse à TV Folha.

​Dias tem 6% das intenções de voto em cenário do Datafolha sem Lula, mas atinge 18% na região Sul. 
Ele defende o fim do "sistema corrupto" de coalizão e as privatizações. Diz que "só morto" abandonaria a candidatura. 

 

Ataque à caravana

Precisamos aguardar a conclusão das investigações. Podem ser duas alternativas: um atentado ou uma encenação. Essa é uma cogitação, e nenhuma hipótese pode ser descartada. A investigação é que vai concluir.

Da nossa parte, não podemos compactuar com a violência. Mas também cabe combater a provocação. Houve a violência porque houve provocação. O ex-presidente [Lula] não está em campanha. É um condenado à prisão. Está afrontando a legalidade democrática. E, com isso, irresponsavelmente, ele está provocando violência. 

Uma reação que tem provavelmente a mesma proporção da provocação. Eu condeno as duas coisas. Não sei que mão puxou esse gatilho. Primeiro é preciso concluir a investigação.

Trocas de partido

Mudei de sigla [o Podemos é o oitavo partido de Dias] para não mudar de lado. As razões são as mais diversas, como a contestação do sistema. 

O Podemos é um movimento que está sendo construído, e vamos depender daqueles que aderirem. O partido quer fazer a leitura correta das prioridades da população. Não posso afirmar hoje que o Podemos está caminhando para se constituir um partido programático. Mas é a minha última esperança.

Aliança com Alckmin

Tenho a menor rejeição entre todos os candidatos e quando sou conhecido ela é ainda menor. Esse é um patrimônio que tenho de cultivar. Gosto do [Geraldo] Alckmin [candidato do PSDB] como pessoa, mas não gosto do sistema que ele sustenta.

Se não acabarmos com o sistema ele continuará produzindo barões da corrupção.

É claro que sozinho não posso destruir isso, mas agora tenho a oportunidade de convocar a sociedade.
Só a morte me afastará dessa disputa, porque assumi isso como uma missão inarredável, que é a de combater esse sistema.

Governo de coalizão

O mal é a coalizão que reúne gregos, troianos e otomanos, todos no mesmo barco e afundam. 
Eu aposto na inteligência da nação. Há no inconsciente coletivo um movimento irresistível de mudança. A sociedade vai atropelar aqueles que se recusarem a essa mudança. O presidente, com o poder que o presidencialismo lhe confere, vai apresentar suas propostas de mudança primeiro à sociedade e convencer de que que elas são imprescindíveis. Com as pessoas assimilando essas propostas, vamos ao Congresso, e o Congresso não rema contra a correnteza. Os que resistirem serão atropelados.

Privatizações

Temos muita coisa para privatizar, por isso não precisa ser tudo. Temos 149 empresas estatais federais, 30% delas criadas pelos governos do PT. Muitas são cabides de emprego. Evidente que temos de ter um grande programa de privatização. 

Mas tem que primeiro valorizar as empresas que foram desvalorizadas e encontrar o momento adequado [para vender]. Não pode ser na bacia das almas a entrega de patrimônio público. 

Algumas empresas especiais que dizem respeito a estratégia e segurança nacionais, como Petrobras, seria crime de lesa-pátria vender agora pela metade do seu valor. Lá no futuro pode até se discutir, mas é uma empresa que pode colocar dinheiro no caixa do Tesouro Nacional, que é lucrativa e tem um patrimônio incrível. 

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