Descrição de chapéu jornalismo

Agência Lupa: Alvaro Dias erra ao falar sobre mercado de trabalho

Pré-candidato à Presidência pelo Podemos participou de sabatina promovida por SBT, Folha e UOL

O pré-candidato à Presidência Alvaro Dias, em sabatina promovida pelo STB, Folha e UOL - Zanone Fraissat/Folhapress
São Paulo | Agência Lupa

​Alvaro Dias, senador pelo Paraná e pré-candidato à Presidência da República pelo Podemos, participou nesta segunda-feira (7) da sabatina promovida por SBT, Folha e UOL. Foi a primeira de uma série com os pré-candidatos à Presidência e ao governo de São Paulo.

 

 

“54% da população brasileira em idade de exercer qualquer atividade laboral não trabalha” 
Alvaro Dias (Podemos), em sabatina

FALSO Segundo a última edição da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Mensal (Pnadc/M), do IBGE, referente ao primeiro trimestre de 2018, o que ocorre é exatamente o contrário. Na verdade, 53,6% dos brasileiros com mais de 14 anos —idade considerada pelo instituto como a adequada para exercer atividade laboral— trabalham. O Brasil tem 169,1 milhões de pessoas com mais de 14 anos. Delas, 90,6 milhões estão empregadas. Procurado, Alvaro Dias não respondeu ao questionamento.

“Proporcional ao número de votos, [a minha campanha em 2014] foi seguramente a mais barata do país” 
Alvaro Dias (Podemos), em sabatina

 

EXAGERADO De acordo com dados do TSE, em 2014, Dias era filiado ao PSDB e gastou R$ 2,9 milhões para se eleger para o Senado. Ele obteve 4.101.848 votos, o que significa que gastou R$ 0,70 por voto. Três senadores eleitos junto com Dias tiveram campanhas proporcionalmente mais baratas. A de Reguffe (PDT-DF, hoje sem partido) custou R$ 0,49. Lasier Martins (PDT-RS, hoje no PSD), R$ 0,40, e Romário (PSB-RJ, hoje no Podemos), R$ 0,25. Procurado, Alvaro Dias afirmou que “se [sua campanha] não foi a mais barata, foi uma das mais baratas”.

“Só restariam quatro [autoridades com foro privilegiado]: o presidente da República, do Supremo [Tribunal Federal] e os presidentes da Câmara e do Senado. O resto das autoridades seria julgada em primeira instância, como todos os brasileiros”  
Alvaro Dias (Podemos), em sabatina

EXAGERADO Dias falava da PEC 10/2013, de sua autoria, que busca limitar foro especial e que hoje tramita na Câmara dos Deputados. Apesar de o texto realmente propor a extinção do foro especial de parlamentares, ministros, embaixadores, membros da Justiça e outras autoridades em caso de crimes comuns cometidos no exercício do mandato, a proposta mantém o foro para os crimes de responsabilidade. Entre eles, estão os de improbidade administrativa e mau uso do dinheiro público. Procurado, Alvaro Dias não respondeu.

“Eu devolvo R$ 5.500 do auxílio-moradia e mais R$ 15 mil da verba indenizatória —e mais R$ 33 mil da minha aposentadoria de ex-governador” 
Alvaro Dias (Podemos), em sabatina

VERDADEIRO Dias foi governador do Paraná entre 1987 e 1991 e, atualmente, não recebe a aposentadoria de R$ 30.471,11 mensais a que teria direito. Contudo, em outubro de 2010, chegou a solicitar o pagamento do benefício, bem como dos valores retroativos referentes a seu período como governador. O total somava R$ 1,6 milhão. Mas, em janeiro de 2011, Dias voltou atrás. Hoje não recebe a aposentadoria, nem o auxílio-moradia de R$ 5.500 e a verba indenizatória de R$ 15 mil, ambos benefícios a que os senadores têm direito.

“52 milhões de brasileiros vivem abaixo da linha da pobreza” 
Alvaro Dias (Podemos), em sabatina

VERDADEIRO Utilizando os critérios do Banco Mundial, o IBGE aponta que 25,4% dos brasileiros viviam em situação de pobreza em 2016. Segundo o Banco Mundial, o Brasil tinha 207.652.865 habitantes naquele ano, logo, 52.743.827,71 viviam abaixo da linha da pobreza. É considerado pobre quem tem renda domiciliar per capita de R$ 387 por mês. O IBGE afirma que o quadro mais crítico está entre os 7,4 milhões de domicílios que “têm mulheres pretas ou pardas sem cônjuge com filhos até 14 anos”. 

Chico Marés, Natália Leal e Nathália Afonso
Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.