Alckmin diz lamentar saída de Joaquim Barbosa da disputa pela Presidência

Em Niterói, presidenciável defendeu simplificar tributos e aumentar competição entre os bancos

Lucas Vettorazzo
Rio de Janeiro

O governador de São Paulo e pré-candidato à Presidência da República, Geraldo Alckmin (PSDB), disse lamentar na manhã desta terça-feira (8) que o ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa tenha desistido de disputar as eleições para o Palácio do Planalto neste ano. 

Segundo o presidenciável, a desistência é uma perda para o processo eleitoral, já que a população carece de novas lideranças e maior participação popular. 

"É uma perda. Precisamos de novas lideranças, uma maior participação. É uma decisão dele e temos que respeitar", disse. 

Alckmin discursou nesta terça em evento da Frente Nacional de Prefeitos, em Niterói (RJ), que terá participação de 11 pré-candidatos à presidência. 

Barbosa se filiou ao PSB e havia a expectativa de que ele se lançaria na disputa à presidência da república. O ex-presidente do STF divulgou sua desistência pelas redes sociais na manhã desta terça. 

O ex-ministro, que ficou conhecido por ter sido relator do mensalão, apareceu em terceiro lugar no último Datafolha, com 8% a 10% das intenções de voto entre 8% e 10%, a depender do cenário. Ele ficava atrás apenas do deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ) e da ex-ministra Marina Silva (Rede). 

Já Alckmin pontou entre 6% a 8% das intenções de voto na pesquisa. 

O ex-governador paulista foi questionado sobre a desistência de Barbosa após ter sido o segundo presidenciável a discursar no encontro. O primeiro foi o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM). O vice-líder nas pesquisas de intenção de votos, o deputado Jair Bolsonaro (PSL), não compareceu ao evento. 

Alckmin destacou em seu discurso meios de ampliar os investimentos na economia. Ele afirmou que a melhora passa pela simplificação do modelo de tributos no país, além de incentivar a competição entre bancos, o que levaria a uma queda dos juros cobrados pelas instituições. 

O tucano defendeu a reforma tributária, com redução da carga de impostos das cadeias produtivas e a melhora do chamado "custo Brasil". O presidenciável defendeu a desburocratização do estado brasileiro e a descentralização da política nacional. 

A melhora da gestão e a redução da necessidade de o governo federal financiar programas em estados e prefeituras seria uma saída para a questão fiscal do país. Investimentos públicos seriam feitos por meios de PPPs (Parcerias Público-Privadas). 

Alckmin voltou a defender uma maior competição entre os bancos e também a desregulamentação do setor financeiro. O objetivo seria reduzir o chamado spread bancário, que é a diferença entre o que os bancos gastam para captar e o que cobram para emprestar.

Ele criticou o que chamou de concentração no sistema bancário do país, com poucos competidores que dominam as maiores fatias do mercado. 

"Reduzir o custo do dinheiro é essencial. É [incentivar] mais competição, desregulamentar e mais players", disse ele, em evento da Frente Nacional dos Prefeitos, em Niterói (RJ).

Entre as propostas para reduzir os juros bancários, ele destacou o chamado cadastro positivo, que é a cobrança de juros menores para consumidores comprovadamente bons pagadores. Ele também afirmou que as cooperativas de crédito e as fintechs —empresas de tecnologia voltadas para o setor bancário— podem ser opções aos bancos comerciais convencionais. "O sistema bancário brasileiro está muito concentrado", disse. 

Alckmin reforçou a necessidade melhora da gestão no governo federal e redução do gasto público, sem, contudo, comprometer a disponibilidade de recursos para a saúde, por exemplo. Ele defendeu a prestação de serviços públicos por entidades privadas sob fiscalização estatal. 

O presidenciável defendeu as PPPs (Parcerias Público Privadas), a gestão de hospitais por meio de OS (Organizações Sociais), que são empresas privadas que assumem equipamentos públicos por meio de uma espécie de leilão reverso— quem oferece o menor preço de administração do hospital ganha a disputa. 

No setor de segurança pública, uma tônica dos discursos desta manhã, Alckmin defendeu maior participação das prefeituras no combate ao crime. Ele afirmou, contudo, que o governo federal precisa de um protagonismo no combate ao tráfico de drogas e armas, controle de fronteiras e no relacionamento com países vizinhos para encontrar soluções comuns. 

Segundo ele, a prefeitura, no entanto, precisa atuar no combate à criminalidade do dia a dia. "Qual o governo mais importante no combate à violência? É o governo das cidade. Nova York [dos anos 1980] é exemplo, com a tolerância zero de Rudolph Giuliani", disse ele, lembrando o prefeito da cidade americana que conseguiu reduzir pela metade as taxas de violência após política radical de tolerância à criminalidade. 

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