Com protestos na Esplanada, Temer usa helicóptero para ir a aeroporto

Manifestantes pedem volta da ditadura militar, saída do presidente e queda do preço da gasolina

Protesto em Brasília pede volta da ditadura militar, saída do presidente e queda do preço da gasolina - Ueslei Marcelino/Reuters
Talita Fernandes
Brasília

Com protestos nos arredores do Palácio do Planalto, o presidente Michel Temer usou o helicóptero presidencial para percorrer uma distância de 16 km e se deslocar para o aeroporto de Brasília, de onde embarcou para São Paulo.

 

No fim da tarde desta segunda, um grupo de cerca de mil manifestantes obstruíram parcialmente a região da Praça dos Três Poderes e a Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Eles pediam a volta da ditadura militar, a saída do presidente Michel Temer e a queda do preço da gasolina.

Temer participa de jantar do Fórum de Investimentos Brasil 2018, evento organizado pelo governo e cuja abertura oficial será na manhã de terça-feira (29) na capital paulista.

O presidente participou de reunião do gabinete de crise na manhã desta segunda (28) e à tarde deu posse ao novo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Ronaldo Fonseca.

Em discurso, ele afirmou que espera que a crise seja superada em dois ou três dias, quando o país deve ter tranquilidade. "Se Deus quiser logo superaremos", afirmou.

Na noite de domingo (27), Temer fez um pronunciamento à nação no qual anunciou cinco medidas para atender às demandas dos caminhoneiros, que paralisam as estradas do país há oito dias.

Entre os pontos acertados estão a edição de três medidas provisórias, que vão dar mais previsibilidade para o preço do frente e extinguir a cobrança de pedágio de eixo suspenso em rodovias de todo o país, o que acontece atualmente apenas nas vias federais.

O governo garantiu ainda uma manutenção no preço do diesel por 60 dias e os reajustes, passado esse período, só acontecerão a cada 30 dias. Com essas medidas, o valor do litro do combustível na refinaria será reduzido em R$ 0,46. O presidente disse ainda que vai adotar medidas para que esse valor seja repassado ao consumidor, na bomba.

As medidas terão impacto de R$ 9,5 bilhões para os cofres públicos, valor que será pago pelo contribuinte segundo cálculos da equipe econômica apresentados nesta segunda pelo ministro Eduardo Guardia (Fazenda).

Apesar das medidas, as paralisações ainda continuam pelo país. Uma nova reunião do gabinete de crise foi realizada no início da noite desta segunda, mas nenhum anúncio sobre o monitoramento foi feito.

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