Skaf diz que pediu doação a Marcelo Odebrecht e nega caixa dois

O caso se refere a jantar no Palácio do Jaburu em que teria sido acertado repasse ilícito de R$ 10 milhões

O presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, disse à Polícia Federal que pediu a Marcelo Odebrecht doação para sua campanha ao governo do Estado em 2014, mas que não combinou valores com o empresário. Ele negou ter feito caixa dois na eleição.

A Folha teve acesso ao depoimento de Skaf no inquérito aberto no ano passado para apurar repasses da Odebrecht ao MDB em 2014. O caso se refere a um jantar no Palácio do Jaburu em maio daquele ano em que teria sido acertado um repasse ilícito no valor de R$ 10 milhões. 

Pré-candidato ao governo de São Paulo, Skaf prestou depoimento no dia 21 de março de 2018. 

Ele disse que pediu a Marcelo Odebrecht "um apoio sem dizer qual seria o valor". E, "como de praxe", o valor da doação foi decidido pelo empreiteiro, segundo Skaf.

"Não ficou acertada nenhuma contrapartida pela doação, não tinha nada para dar em troca a Marcelo Odebrecht e se tivesse algo nunca daria nada em troca de doação", acrescentou. 

Ele disse que recebeu R$ 200 mil da Braskem, que faz parte do conglomerado Odebrecht, e que "todas as doações para as campanhas eleitorais das quais participou foram feitas oficialmente, nunca recebeu doações via caixa-dois". 

O inquérito tramita no STF (Supremo Tribunal Federal) e tem como alvos o presidente Michel Temer e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência), todos do MDB. Os três, Odebrecht e Claudio Melo Filho, executivo da empreiteira, teriam combinado os valores no evento. 

A doação, segundo Skaf, foi solicitada "diretamente a Marcelo Odebrecht, não houve envolvimento de Michel Temer, Moreira Franco e Eliseu Padilha no assunto", segundo o depoimento. 

Odebrecht teria comunicado que repassaria R$ 10 milhões, sendo que R$ 6 milhões seriam destinados a Skaf, que já era presidente da Fiesp. Uma parte desse valor seria paga por meio do publicitário Duda Mendonça, que trabalhou na campanha. 

Melo Filho disse que os outros R$ 4 milhões foram destinados ao MDB via Padilha. Uma parte do dinheiro teria sido entregue no escritório de José Yunes, um dos melhores amigos de Temer. Yunes diz que serviu apenas de "mula involuntária" de Padilha, atendendo a um pedido dele de receber um "pacote" em seu escritório.

O jantar, segundo os delatores, teria sido marcado por ele, e o repasse seria uma contrapartida ao atendimento dos interesses da Odebrecht pela Secretaria da Aviação Civil. A pasta foi ocupada por Padilha e Moreira Franco entre 2013 e 2015.

A PGR (Procuradoria-Geral da República) investiga crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

"Indagado se teve conhecimento de algum acerto que teria sido feito englobando esses valores, em um jantar que teria ocorrido no Palácio do Jaburu, na época residência oficial do então vice-presidente Michel Temer (...) respondeu que desconhece a existência desse jantar e de eventuais acertos que tenham ocorrido, veio a saber do assunto pela imprensa, quando da divulgação da delação premiada de executivos da Odebrecht", informa o depoimento. 
 

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