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Ao declarar apoio a Anastasia em Minas, PTB apaga Alckmin e defende Aécio

Presidenciável tucano, porém, também caminha para formar aliança com o PTB

Carolina Linhares
Belo Horizonte

Ao receber o apoio formal do PTB, o pré-candidato do PSDB ao governo de Minas, senador Antonio Anastasia, afirmou que sua campanha está acoplada à de Geraldo Alckmin, embora o nome do presidenciável tucano não tenha sido lembrado pelos aliados petebistas em evento nesta terça (26), em Belo Horizonte.

Antonio Anastasia (PSDB), em evento do PTB, recebe apoio à pré-candidatura ao governo de Minas do presidente do partido em Minas, Dilzon Melo
Antonio Anastasia (PSDB), em evento do PTB, recebe apoio à pré-candidatura ao governo de Minas do presidente do partido em Minas, Dilzon Melo - Carolina Linhares/Folhapress

Questionado pela Folha, o presidente estadual do PTB em Minas, deputado estadual Dilzon Melo, afirmou que o partido deve apoiar também Alckmin. Em seu discurso às lideranças do PTB e aos apoiadores de Anastasia, porém, não falou do ex-governador paulista.

Melo destacava que os materiais de campanha do PTB serão impressos não só com o nome do candidato a deputado, por exemplo, mas com a chapa completa: Anastasia para governador, seu vice Marcos Montes (PSD), e os candidatos ao Senado. Ao falar do presidenciável, não citou nomes. 

"E logicamente vai sair com a chapa também de presidente da República, que ainda está muito tumultuado, nós não sabemos como que vai ficar. O centrão tem que eliminar um bocado de candidatos lá para não se prejudicar, mas vamos sair com a chapa completa", disse.

Com 7% das intenções de voto na última pesquisa Datafolha, Alckmin tem o pior desempenho do PSDB em quase 30 anos. 

Em encontro com Anastasia no sábado passado (23), policiais e bombeiros militares também deixaram Alckmin de lado para exaltar o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL). Houve gritos de "Anastasia e Bolsonaro".

O deputado estadual Sargento Rodrigues (PTB), que organizou o encontro com os militares e também esteve presente nesta terça em evento do seu partido, disse haver uma tendência natural das forças de segurança em apoiar Bolsonaro. "É quase impossível impedir isso." 

À Folha o deputado afirmou não ter candidato a presidente. "Ainda não tenho, as águas estão muito nebulosas. Eu entendo que o cenário ainda terá mudanças e estamos aguardando essas mudanças." 

Anastasia também minimizou a dobradinha formada com Bolsonaro em vez de Alckmin. "Ninguém pode constranger os votos dos eleitores", disse. 

"Temos feito um grande esforço em Minas Gerais também para a candidatura de Geraldo Alckmin. [...] Todo o meu esforço, toda a minha campanha será acoplada à campanha presidencial do Geraldo", completou o senador. 
 
Se Alckmin ficou apagado, o nome do senador Aécio Neves (PSDB-MG) foi mencionado e defendido em discursos de petebistas que lembraram feitos das gestões tucanas no estado, entre 2003 e 2014, e criticaram a gestão atual de Fernando Pimentel (PT). 

Réu no Supremo Tribunal Federal por corrupção e obstrução de Justiça, Aécio não tem aparecido nos eventos de campanha de Alckmin ou de Anastasia, que tentam se descolar do senador.

"Eu acredito na inocência de Aécio. Ele tem prestígio para ser eleito deputado federal ou senador. O problema é que a imprensa e a esquerda o massacraram antes da hora, ele não foi julgado", disse Melo. 

Anastasia voltou a afirmar que Aécio ainda decidirá, em conjunto com a direção do PSDB, se será candidato e a qual cargo.

No evento, uma das duas vagas de candidato ao Senado na chapa de Anastasia foi dada como certa para Dinis Pinheiro (SD). O Solidariedade anuncia nesta nesta quinta (28)  apoio formal ao tucano. 

Além de PTB e SD, Anastasia já formou aliança com PSD, PSC, e PPS. Seu principal adversário,  o governador Pimentel, se aproximou do PC do B, mas só tem garantidos os apoios de siglas pequenas como o PMN e PSDC. 

Márcio Lacerda (PSB) tem o apoio do PDT e do Pros. Já Rodrigo Pacheco (DEM) anunciou nesta segunda (25) o apoio do PP, com Ana Paula Junqueira como candidata a vice em sua chapa. Ela é mulher do prefeito de Uberlândia e ex-secretária no município. 

"Os outros pré-candidatos estão um pouco para trás, eu respeito todos, mas há de fato uma consolidação firme, política, ao nosso lado. Nós estamos um pouco mais avançados nesse ponto, mas isso também não pode nos fazer deitar em tranquilidade, ao contrário, nos obriga a trabalhar ainda mais", disse Anastasia.

Anastasia foi classificado por Melo como o único candidato possível para resolver a crise que Minas enfrenta. Petebistas enumeraram atributos ao tucano, como competência, caráter e honestidade. O senador, por sua vez, relembrou sua relação com o PTB e disse que "sangraria o coração" se não tivesse o apoio do partido.

O pré-candidato tucano afirmou também que a situação de Minas é trágica: "Está no mais alto nível de UTI". E prometeu simplicidade diante da falta de recursos para grandes obras e grandes promessas. "As pessoas querem o básico, que é o funcionamento normal do estado", disse. 

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