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Pré-candidato pelo PSC, ex-juiz quer extinguir Secretaria de Segurança no RJ

Wilson Witzel afirmou que pretende elevar o status das polícias Civil e Militar a secretarias

Italo Nogueira
Rio de Janeiro

O ex-juiz federal Wilson Witzel (PSC), pré-candidato ao governo do Rio, afirmou nesta segunda-feira (4) que pretende extinguir a Secretaria de Segurança e levar a formulação de política do setor para dentro do gabinete do Palácio Guanabara.

Witzel afirmou que pretende elevar o status das polícias Civil e Militar a secretarias e intensificar a integração entre as corporações. A declaração foi dada durante sabatina promovida pela Folha, UOL e SBT.

“Tenho dito que não preciso de secretário de Segurança porque este modelo não está funcionando em lugar nenhum do país. No momento que vivemos hoje, a minha proposta é fazer um gabinete de segurança pública com os secretários de Polícia Civil, o de Polícia Militar e o governador”, afirmou o ex-juiz federal.

 

Witzel foi juiz federal por 17 anos, tendo atuado em varas criminais do Rio de Janeiro e Espírito Santo. Ele defendeu a adoção do “modelo da Lava Jato” na criação de forças-tarefas para investigar a milícia e o tráfico de drogas.

O pré-candidato classificou a intervenção federal na segurança pública como “política” e afirmou que a mobilização de militares para combater a violência tem pouca efetividade.

“Foi uma intervenção de certa forma política porque o Rio. O modelo de intervenção, em que você coloca militares nas ruas para conter uma violência na rua, no asfalto, não daria certo nunca. O crime organizado só consegue atingir com investigação”, declarou o ex-juiz.

Ele criticou ainda o projeto das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), implementado de forma “atabalhoada” e que acabou por “desestruturar a Polícia Militar”, em sua avaliação.

Embora negocie apoio do PSL, do presidenciável Jair Bolsonaro, Witzel manteve um discurso contrário ao que se convencionou chamar de “política de confronto” da Polícia Militar, de operações com troca de tiros com bandidos.

“Essa política de confronto é a pior possível. É a que leva terror às comunidades, que ficam reféns de bala perdida, e colocamos os policiais em risco. O crime está muito mais organizado do que a polícia. Um confronto sem que ele [crime] esteja desmobilizado é uma guerra sem controle. Operações pontuais são bem-vindas, mas com um planejamento prévio”, declarou.

Ex-militar, ele evitou tecer comentários sobre Bolsonaro. Defendeu o nome do ex-presidente do BNDES Paulo Rabello de Castro, presidenciável do PSC, e afirmou apenas que a ascensão do deputado nas pesquisas se deve ao fato dele se apresentar como membro “dessa linha das pessoas que querem mudança”.

“Como ele se oferece como uma mudança, um político outsider da política, as pessoas estão buscando conhecer quem é renovação. [...] Eu sou um outsider de verdade”, afirmou ele.

Ex-presidente da Ajuferjes (Associação dos Juízes Federais do RJ e ES), também não se posicionou de forma clara sobre os “penduricalhos” nos contracheques de magistrados e servidores da Justiça.

Defendeu o debate no Congresso sobre uma nova Loman (Lei Orgânica da Magistratura Nacional), sem se posicionar sobre a necessidade ou não de auxílio-moradia e outros benefícios.

“Temos questões de um tamanho muito maior do que esse para discutir. É um problema. Mas se contabilizar quanto tudo o que isso custa para o estado, e quanto o estado já foi lesado pela corrupção nos últimos 20 anos, as cifras são assustadoras”, afirmou.

Witzel explorou o discurso anticorrupção, usando o cargo de magistrado que ocupou no passado como credencial.

“Foi pela corrupção que os políticos tomaram decisões ruins e pautadas na corrupção. Empresários inescrupulosos se juntaram a esses políticos ruins e fizeram um verdadeiro cartel dentro do poder público para assaltar os cofres públicos”, afirmou ele, em referência ao ex-governador Sérgio Cabral (MDB) e aliados presos.

O próximo a ser entrevistado será o antropólogo Rubem César (PPS), na quarta-feira (6), seguido de Índio da Costa (PSD), no dia 8, Anthony Garotinho (PRP), no dia 11, Tarcísio Motta (Psol), no dia 12 e Pedro Fernandes (PDT), no dia 15.

O PT ainda define entre o ex-ministro Celso Amorim e a escritora Márcia Tiburi o pré-candidato a ser entrevistado no dia 14.

Romário (Podemos) afirmou que só daria entrevistas quando fosse oficializado candidato. Eduardo Paes (DEM) até o momento nega a pré-candidatura e não aceitou o convite.

As sabatinas ocorrem no estúdio do SBT, na zona norte do Rio de Janeiro, sem a presença de público. Começam às 9h e serão transmitidas ao vivo nos sites da Folha, UOL e SBT.

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