Prestes a apoiar Márcio França, PP negocia nomear chefe da Polícia Civil

Governador loteia administração para obter reeleição, beneficiando siglas como PR e PC do B

Catia Seabra Gabriela Sá Pessoa
São Paulo

Prestes a bater o martelo e declarar apoio à campanha de reeleição de Márcio França (PSB) ao Bandeirantes, o PP deverá apadrinhar o chefe da Polícia Civil paulista, além de manter a Secretaria de Meio Ambiente sob sua influência.

A Polícia Civil está sem delegado-geral desde 7 de abril, quando França tomou posse substituindo Geraldo Alckmin (PSDB). A recomendação do PP é manter no posto Júlio Gustavo Vieira Guebert, secretário-adjunto que responde interinamente pela pasta, um policial de carreira.

A legenda também pediu ao governador mais cargos em escritórios regionais do estado. Caso entre na coligação, o PP somará seis minutos à propaganda televisiva de França.

Na soma, o governador superaria 20 minutos, e poderia ter mais tempo que seu principal rival, João Doria (PSDB). A aproximação de França com o PP foi revelada pelo Painel.

O governador de São Paulo, Márcio França (PSB), durante a entrega do prêmio Melhor de SP
O governador de São Paulo, Márcio França (PSB), durante a entrega do prêmio Melhor de SP - Marcelo Justo - 04.mai.2018/Folhapress

A acomodação do novo aliado na administração estadual é parte das mudanças que ocorreram na composição do novo governo --o PSDB perdeu espaço para legendas que fecharam apoio ao governador, como o PR (Transportes).

Aliados de Alckmin e, agora, apoiando França, Solidariedade e PTB mantiveram sua influência no governo estadual. As siglas têm cargos, respectivamente, na pasta de Emprego e Relações de Trabalho e na Secretaria da Justiça.

A estratégia do pessebista é a mesma que ele adotou na campanha que levou o agora oponente eleitoral Doria à Prefeitura de São Paulo.

Em 2016, França participou da montagem da coligação de Doria, a pedido de Alckmin, oferecendo aos partidos cargos no governo estadual.

O PP vinha discutindo aderir à candidatura Doria em conjunto com o DEM, que controla a Secretaria da Habitação. Mas o deputado federal Rodrigo Garcia, demista, deixou a pasta em fevereiro e é hoje o mais cotado para assumir a vice de Doria.

Outro partido que tem negociado com França é o PC do B, tradicional aliado do PT em disputas eleitorais.

Em um aceno à legenda, o governador paulista fez uma ginástica para acomodar um aliado do deputado federal Orlando Silva (PC do B -SP) na Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo).

Suplente de deputado e ex-cunhado de Silva, Gustavo Petta assumiu uma vaga no Legislativo em maio, quando França nomeou o dono da cadeira, Júnior Aprillanti, do PSB, para a Secretaria de Turismo.

Aliado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Silva admite a possibilidade de apoio a França, com quem esteve segunda (4).

Ele afirma que, hoje, a maioria das lideranças de seu partido nutre maior simpatia pela candidatura do governador.

A decisão da sigla, no entanto, só sairá em agosto, depois de definido o cenário nacional. A relação de Orlando com França contraria a ala sindical do PC do B, defensora de alianças à esquerda.

Em manifestação encaminhada nesta quinta (7), após a publicação da reportagem, o governador Márcio França diz que não ocorreram mudanças.

"A Secretaria do Meio Ambiente já estava com o PP na gestão Alckmin. A Polícia Civil está sob o comando do mesmo delegado Júlio Gustavo Vieira Guebert. Não se trata de cargos. A iminente vinda do PP revela, isto sim, confiança no governo do estado e em um movimento que já aglutina 16 partidos. Afinal, você só se alia a quem você confia. Toda esta movimentação mostra que estamos no caminho certo, e que temos apoio para continuar governando o estado de São Paulo”, afirmou França.

França foi procurado pela reportagem, por meio de sua assessoria de imprensa, na quarta (6), para comentar a reportagem, mas não respondeu até a conclusão da edição. 

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