Descrição de chapéu Análise

Facebook seguiu padrão com que trata desinformação ao retirar páginas do ar

Rede social derrubou perfis nesta quarta (25) e atingiu contas ligadas ao MBL

Pablo Ortellado
São Paulo

O Facebook anunciou, nesta quarta-feira (25), que derrubou 196 páginas e 87 perfis dedicados a promover a divisão e a desinformação. Uma fonte disse à Reuters que a rede de páginas e perfis era ligada ao MBL (Movimento Brasil Livre). O MBL assumiu em nota que saíram do ar algumas páginas e perfis de algumas de suas lideranças, acusando o Facebook de censura.

A ação da plataforma segue o padrão que vem sendo adotado para tratar da desinformação online: em vez, por exemplo, de tentar arbitrar quais páginas produzem informação falsa ou verdadeira, a empresa tem optado por uma abordagem mais formalista, punindo a violação de normas por páginas e perfis maliciosos que tentam ocultar a identidade ou manipular o debate público.

Militantes do MBL sentados no palco do 3º Congresso Nacional do movimento no Word Trade Center, em São Paulo, em 2017. Em pé, o militante Renan Santos
Renan Santos durante 3º Congresso Nacional do MBL, no Word Trade Center, em São Paulo - Joel Silva - 11.nov.2017/Folhapress

Esse parece ser o caso das páginas e perfis do Facebook que foram removidos hoje. Em nota à imprensa, o Facebook esclareceu que as "páginas e perfis faziam parte de uma rede coordenada que se ocultava com o uso de contas falsas no Facebook, e escondia das pessoas a natureza e a origem de seu conteúdo com o propósito de gerar divisão e espalhar desinformação".

A nota sugere que o Facebook considerou que páginas e perfis ligados ao MBL violavam a norma relativa a "comportamentos não autênticos coordenados" que trata de ação coordenada maliciosa — provavelmente para incentivar curtidas e compartilhamentos de links dos sites de notícias do grupo, como Jornalivre e Diário Nacional (cujas páginas saíram do ar, junto com a página Brasil 200, de apoio ao ex-presidenciável Flávio Rocha).

Não está claro por quais meios técnicos o MBL fazia isso, mas a remoção de perfis de líderes do grupo que não eram falsos sugere que o Facebook encontrou evidências da ligação destes perfis com a ação de manipulação.

O MBL diz que a ação é uma perseguição com motivações políticas de uma empresa com viés ideológico contra grupos de direita, mas a nota do Facebook sugere que o problema que levou às remoções diz respeito à forma de atuação e não aos conteúdos postados e compartilhados.

Com o fim das eleições mexicanas, o debate global sobre o impacto das mídias sociais nos processos democráticos passa a ter como referência as eleições no Brasil. Não é por outro motivo que o anúncio da retirada das páginas do MBL foi feito no site global da empresa e o furo do anúncio da medida saiu pela agência Reuters.

Provavelmente veremos outras ações como essa nas próximas semanas, inclusive orientadas a atores no outro lado do espectro político.

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