Não fomos sábios o suficiente para evitar erros, diz Marina sobre crise no país

Criticada por omissão em temas importantes, pré-candidata diz que não terá direito de ser 'estúpida' diante dos problemas

Marina Dias Daniel Carvalho
Brasília

Pré-candidata da Rede ao Planalto, Marina Silva admitiu nesta quarta-feira (4) que não foi sábia o suficiente para evitar os erros na condução política do país, mas que agora não tem o direito de ser "estúpida" ao tentar corrigir o cenário de crise que acomete o Brasil.

A pré-candidata da Rede, Marina Silva, participa de evento da CNI em Brasília
A pré-candidata da Rede, Marina Silva, participa de evento da CNI em Brasília - Adriano Machado/Reuters

Marina foi candidata à Presidência da República em 2010 e 2014, e alcançou cerca de 20 milhões de votos em ambas as disputas, mas, com uma estrutura partidária pequena e sem posicionamento assertivo sobre os principais temas do país nos últimos quatro anos, foi muito criticada e abandonada por aliados importantes.

Diante de uma plateia formada por centenas de empresários, em evento da CNI (Confederação Nacional da Indústria) em Brasília, Marina citou um provérbio chinês, como gosta de fazer em seus discursos, e afirmou que "sábios são aqueles que aprendem com os erros dos outros, estúpidos são aqueles que não aprende nem com os próprios erros". 

Em seguida, emendou: "Nós, eu incluída, não fomos sábios o suficiente para evitar os erros, mas não temos o direito de sermos estúpidos".

Marina disse que é preciso "dialogar com a agenda do investimento e da tecnologia" e que não se pode "reproduzir as mesmas práticas que criaram os problemas" porque, caso isso ocorra, "teremos os mesmos resultados".

Na avaliação de Marina, em 2014 já havia sinais de que a crise acometeria o país, mas os candidatos que foram ao segundo turno, Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB), "esconderam a realidade". 

Na disputa há quatro anos, porém, Marina se aliou a Aécio no segundo turno.

A pré-candidata voltou a criticar o presidencialismo de coalizão, disse que o sistema não é mais capaz de resolver os problemas do país, e propôs, como faz desde 2010, o "presidencialismo de proposição". 

Ela diz querer "governar com os melhores", com "o fim do toma-lá-dá-cá" e recuperar o tripé da macroeconomia, com câmbio flutuante, superávit primário e meta da inflação, que, segundo ela, foi abandonado em troca de dividendos eleitorais dos últimos governos.

ALIANÇAS

Às vésperas das convenções partidárias, Marina disse que hoje nenhum pré-candidato tem vice definido e que dialoga com partidos não somente em função da candidatura nacional, mas também nos estados.

Segundo ela, é importante "fazer aliança com os quase 50% dos brasileiros que estão desistindo de votar", em referência ao alto número de eleitores indecisos ou sem candidatos, de acordo com as últimas pesquisas.

Com estrutura de uma sigla pequena, Marina tem conversado principalmente com o PPS, que pode indicar o vice de sua chapa caso as tratativas avancem.

Seu partido, a Rede, tem apenas oito segundos de tempo na TV e disse que vai precisar ser "bastante criativa" para fazer sua campanha.

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann (PR), divulgou nota nesta quarta (4) em protesto contra a decisão da CNI de não convidar um representante petista para a sabatina com pré-candidatos ao Planalto.

"Ao excluir um representante do ex-presidente Lula, a CNI deixa de conhecer as ideias e propostas de quem reúne as melhores condições de pacificar o país e retomar o caminho do desenvolvimento", diz o texto.

Preso em Curitiba desde abril, Lula deve ficar inelegível pela Lei da Ficha Limpa e o PT terá que indicar um nome para substitui-lo nas urnas. Até lá, porém, insistirá que o ex-presidente é candidato e reivindicará que um representante dele participe das sabatinas e debates.

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