Descrição de chapéu Eleições 2018

Palanque de Marina Silva em SP, chapa PMN-Rede tenta se entrosar

Partido da presidenciável estreita laço com legenda do novato Fernando Aguiar

Joelmir Tavares
São Paulo

Sem candidato da Rede a governador de São Paulo, a presidenciável Marina Silva dividirá espaço com um filiado ao PMN quando fizer campanha no estado. Estreante em eleições, Cláudio Fernando Aguiar, 37, é quem dará palanque à ex-senadora. Ele, que também é o presidente local do nanico Partido da Mobilização Nacional, tentará ajudar a atrair votos para a presidenciável.

A Rede não terá nome próprio na disputa, mas fechou aliança com a legenda de Aguiar. Ao partido de Marina coube a vaga de vice, ocupada por Roberto Campos, 52, um caipira, como ele mesmo diz, que foi vereador do PSDB por quatro mandatos em São João da Boa Vista (a 217 km da capital).

Os embaixadores de Marina no maior colégio eleitoral do Brasil não se conheciam até o arranjo partidário que uniu as siglas. Foi um casamento programático, dizem lideranças de ambos os lados, repetindo o mantra da presidenciável.

No dia 12, os dois receberam a Folha na sede paulista da Rede, na Vila Mariana (zona sul). “Parece até que a gente combinou [o discurso]!”, disse Aguiar ao se despedir. 

Campos, que chegou no meio da entrevista, tinha acabado de falar que uma bandeira da dupla será a diminuição de cargos comissionados, hoje “em número absurdo”. No fim daquele dia, segundo o postulante a vice, os dois teriam uma DR, “uma reunião para alinhar os pensamentos, discutir vários pontos”.

O cupido da união foi Nilson Gonçalves, porta-voz da Rede no estado e ex-membro do PMN. “Eles não estão ainda afinados um com o outro”, afirmou o dirigente, para quem o entrosamento é só questão de tempo.

Com Marina em dificuldade para fechar alianças no plano nacional, os palanques estaduais são considerados fundamentais para a campanha.

Na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes, Aguiar e Campos defendem, além da redução de cargos preenchidos por indicação, propostas como menos privilégios para políticos e combate à corrupção.

Acreditam que, com isso, daria para direcionar mais verbas para áreas como educação, saúde e segurança. A plataforma deles inclui ainda abaixar os preços dos pedágios em rodovias estaduais, após revisão dos valores cobrados pelas concessionárias.

"Nenhum governante quer mostrar como o dinheiro está sendo utilizado. Sabe por quê? Porque está sendo mal utilizado”, disse o pré-candidato a governador. Segundo ele, é preciso "separar o joio do trigo" e valorizar o "funcionalismo público importante: professores, policiais militares, bombeiros, concursados". Muitos comissionados “nem comparecem ao local de serviço”, afirmou.

O candidato do PMN ao governo de SP Claudio Aguiar (à esq.) e seu vice, Roberto Campos, da Rede. - Diego Padgurschi/Folhapress

O loteamento de cargos costuma ser usado como moeda de troca nas negociações com partidos e deputados. Mas Aguiar dispensa esse tipo de aliança para vencer: diz estar se juntando a quem tem compromisso "com o estado, não com as regalias, as mordomias, o jeito esperto de fazer política".

Seu currículo mostra uma passagem pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Portuário de Guarujá, na gestão de Maria Antonieta de Brito (MDB).

O pré-candidato ganha a vida como perito de cálculos em ações judiciais contra bancos relacionadas aos juros praticados. Também é professor universitário e dono de um canal de TV com alcance no litoral.

Nos discursos, ele ataca o partido do concorrente líder nas pesquisas, o ex-prefeito João Doria. “O PSDB é para São Paulo o que o PT é para o Brasil: uma desgraça. A diferença é que ficaram muitos anos em lugares diferentes."

Prevê que as dificuldades de fazer campanha sendo de um partido pequeno e sem muitos recursos poderão ser superadas com "propostas, diálogo e sola de sapato".

Aguiar disse ter em comum com Marina a busca por renovação política e a responsabilidade com o dinheiro público. “E ela também torce para o São Paulo!” Amigo da ex-senadora, Gonçalves precisou interromper o agora aliado: “Não. Ela torce para o Palmeiras”.

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