Descrição de chapéu Eleições 2018

Veja erros e acertos de presidenciáveis na CNI

Pré-candidatos exageram ao citar dados sobre economia, educação, trajetória política e Trump

São Paulo | Agência Lupa

Na quarta (4), a CNI ouviu em Brasília as propostas de seis pré-candidatos à Presidência. Veja a checagem:

“A LDO prevê, para o ano que vem [2019], R$ 130 bilhões de déficit primário”
Geraldo Alckmin (PSDB)
EXAGERADO
 O projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2019 prevê uma meta de déficit primário de R$ 139 bilhões para o governo central —R$ 9 bilhões a mais do que disse Alckmin. Para 2020 e 2021, o déficit previsto é de R$ 110 bilhões e R$ 70 bilhões, respectivamente. Procurada, a assessoria do tucano disse que se tratou “apenas de uma aproximação pertinente à realidade”.

“A mortalidade infantil no Brasil era 140 [a cada mil nascidos vivos]. Em São Paulo, é de 11”
Geraldo Alckmin (PSDB)
VERDADEIRO 
O IBGE informa que, em 1940, a taxa de mortalidade infantil era de 146,6 a cada mil nascidos vivos. Em 2016, último dado disponível, de 13,3. O instituto indica que a taxa de mortalidade infantil na cidade de São Paulo é de 11,12 para cada mil nascidos vivos e que, no estado de São Paulo, é de 9,9.


“Apenas 30% das pessoas que terminam o 9º ano conseguem ler e interpretar um texto”
Marina Silva (Rede)
EXAGERADO
 A última edição do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), que data de 2015 e foi aplicado a jovens de 15 anos em todo o país, mostra que, no Brasil, 49% dos estudantes estavam entre os níveis 2 e 6 de leitura —total superior ao mencionado pela pré-candidata. O nível 2 é o patamar que a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) estabelece como necessário para que o estudante possa exercer plenamente sua cidadania. Procurada, Marina não respondeu.

“[A maioria dos estudantes do Ensino Médio não consegue] Nem fazer operações simples de matemática”
Marina Silva (Rede)
VERDADEIRO 
A última edição do Pisa também mostra que, em 2015, 70,3% dos estudantes brasileiros estavam abaixo do nível 2 em matemática. Para a OCDE, esse é o patamar mínimo necessário para que o estudante possa exercer plenamente sua cidadania.

“Vamos falar a verdade sobre o Trump: o pessoal lá [nos EUA] está gostando”
Jair Bolsonaro (PSL)
EXAGERADO
 A última pesquisa de popularidade feita pelo Gallup nos Estados Unidos mostra que, entre os dias 25 de junho de 1º de julho, 42% dos entrevistados aprovavam o governo Trump, enquanto 53% o desaprovavam. A aprovação do republicano estava abaixo da média de 53% registrada pelos ex-presidentes americanos desde 1938. Se comparado a Barack Obama, George W. Bush e Bill Clinton no segundo mês de junho de suas respectivas administrações, Trump tinha a menor aprovação. O site americano RealClearPolitics, que reúne um total de dez pesquisas sobre a Presidência americana, mostra que, em nenhuma delas, Trump ultrapassava 48% de aprovação. Procurado, o pré-candidato não respondeu.

“O fuzil (...) foi para aquela região [Angra dos Reis]”
Jair Bolsonaro (PSL)
VERDADEIRO
 Ao falar sobre segurança pública, o pré-candidato citou o caso específico de Angra dos Reis, município no sul fluminense. Segundo o Instituto de Segurança Pública do RJ, nos cinco primeiros meses deste ano, cinco fuzis foram apreendidos na área da 166ª Delegacia Policial, que abrange a cidade em questão. Esse total já é maior do que a soma de todos os fuzis apreendidos na região em 2017 e 2016 (dois por ano).

“[No Brasil, é preciso] 101 dias para abrir uma empresa”
Henrique Meirelles (MDB)
EXAGERADO
 O Banco Mundial mostra que, em 2017, o tempo médio necessário para abrir um negócio no Brasil era de 79,5 dias, quantia inferior à mencionado por Meirelles. Ainda assim esse era o sexto pior índice entre os países analisados. O Brasil só ficou atrás de Venezuela, Camboja, Haiti, Suriname e Eritreia. Procurado, o pré-candidato não respondeu.

“Quando entrei no governo, o tempo médio gasto por uma empresa para pagar imposto (...) era de 2.600 horas por ano”
Henrique Meirelles (MDB)
VERDADEIRO
 O relatório Doing Business 2014, projeto do Banco Mundial que analisa empresas de diversos países, mostra que as brasileiras gastavam 2.600 horas por ano para pagar seus impostos. No início de 2017, Meirelles propôs um programa para reduzir o custo e o tempo despendido com isso. Sua meta era diminuir para 600 horas por ano.

“A taxa de câmbio [do dólar no dia em que Lula tomou posse] estaria [hoje] a R$ 9 (...). Aí o Lula entrega para a Dilma, oito anos depois, a taxa de câmbio [do dólar] a R$ 1,75”
Ciro Gomes (PDT)
EXAGERADO
 Em 2 de janeiro de 2003, primeiro dia útil do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o dólar valia R$ 3,52. Corrigindo pela inflação até maio de 2018, última disponível no Banco Central, seria R$ 8,60 —total inferior ao citado por Ciro. Em 31 de dezembro de 2010, último dia do governo Lula, o dólar valia R$ 1,66. Corrigido pela inflação do período, valeria R$ 2,54 —acima do mencionado pelo pré-candidato. No primeiro caso, Ciro aplicou a correção. No segundo, ignorou-a. Vale pontuar que corrigir a cotação do dólar pela inflação não é uma prática que gera consenso entre os economistas. Procurado, o pré-candidato não respondeu.

“O Brasil está com mais de 60 milhões de nacionais no SPC ou no Serasa”
Ciro Gomes (PDT)
VERDADEIRO
 Em junho, o Serasa Experian divulgou seu último estudo sobre o assunto, com números referentes a maio de 2018. Naquele mês, a inadimplência no Brasil atingia 61,4 milhões de consumidores.

“Eu só fui governo [por] quatro anos, quando governei o Paraná, e [por] mais sete meses, no segundo mandato do presidente Fernando Henrique”
Alvaro Dias (Podemos)
EXAGERADO
 Dias, de fato, passou a maior parte da sua vida política na oposição. Entretanto, seu período como senador da base de apoio de Fernando Henrique Cardoso foi maior do que os sete meses que ele citou. Dias se elegeu senador pelo PSDB, partido do presidente, em 1998, e só deixou o partido em agosto de 2001, depois de ser ameaçado de expulsão por ter assinado uma CPI contrária aos interesses da legenda. 
Procurado, o pré-candidato não retornou.

“De 2006 a 2016, sepultamos 324 mil jovens assassinados no nosso país”
Alvaro Dias (Podemos)

VERDADEIRO O Atlas da Violência de 2018 mostra que 324.967 jovens com idades de 15 a 29 anos foram vítimas de homicídio no Brasil de 2006 a 2016. Nesse período, o ano com maior número de mortos foi 2016, com 33.590 assassinados.

Verdadeiro A informação está comprovadamente correta/ Exagerado A informação está no caminho correto, mas houve exagero.

Leandro Resende, Clara Becker , Chico Marés , Nathália Afonso e Natália Leal

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