Descrição de chapéu Eleições 2018

Alckmin quer aproveitar latifúndio na TV para dosar feitos em SP e ataques

Tucano tem quase a metade do horário eleitoral gratuito

Thais Bilenky
São Paulo

Apostando na propaganda de televisão para decolar, a equipe de Geraldo Alckmin (PSDB) montou um arsenal de peças de ataque, defesa e exaltação dos atributos do candidato para usar conforme o desenrolar da campanha para a Presidência.

A reação de grupos de eleitores às gravações é testada para burilar a estratégia e fazer ajustes na mensagem. 

Seu cerne, porém, já está definido. Segundo a equipe, o tucano será apresentado como o único candidato que tem um portfólio de realizações para mostrar.

Geraldo Alckmin (PSDB) e Antonio Anastasia (PSDB) visitam crianças do Lar de Antonio Tereza, entidade de educação infantil de Belo Horizonte
Geraldo Alckmin (PSDB) conversa com crianças do Lar de Antonio Tereza, em Belo Horizonte (MG) - Ciete Silvério/Divulgação

Com quase a metade do horário eleitoral gratuito (5 minutos e 32 segundos em cada bloco de 12 minutos e 30 segundos), garantido pelo amplo arco de alianças, inclusive com partidos do centrão, Alckmin poderá dedicar tempo a uma propaganda positiva. Jair Bolsonaro (PSL), seu principal concorrente pelos votos conservadores, tem um tempo ínfimo de exposição televisiva.

Se o capitão reformado atacar o tucano nas redes ou em discursos, a equipe de Alckmin poderá decidir se e como responderá conforme o rumo que a campanha tiver tomado no momento. Da mesma forma, poderá dosar a parcela do horário eleitoral usada para apontar as fragilidades dos adversários.

"Qualquer candidato só cresce em pesquisa de intenção de voto se consegue mudar a opinião de eleitores que estão com outro”, afirma o publicitário Lula Guimarães, marqueteiro de Alckmin. “Mostrar as verdades e as inconsistências é o principal instrumento para fazer as pessoas refletirem." 

A campanha tem prontos levantamentos sobre os adversários. No caso de Bolsonaro, não haverá um ponto fraco específico a ser explorado. Ao contrário, o conjunto do que a equipe entende ser vulnerabilidades poderá ir ao ar para expor o deputado, líder nas pesquisas nos cenários sem Lula.

São consideradas fragilidades de Bolsonaro sua falta de preparo para assumir a Presidência, o preconceito que externa e a convergência de seus votos com os do PT na Câmara.

Além disso, estão na mira o aumento do patrimônio do candidato e de seus filhos deputados e o uso questionável de auxílio moradia, ambos revelados pela Folha.

O tema já é explorado há meses por Alckmin, que repete, quando questionado sobre o oponente, que os problemas do país não serão resolvidos à bala.

A campanha tucana espera conseguir melhorar seu desempenho nas pesquisas em cerca de dez dias de horário eleitoral, que começa no dia 31. Hoje, nos cenários sem Lula, Alckmin está empatado em terceiro, com 9%, segundo o Datafolha.

Na TV, realizações dos quatro mandatos de Alckmin à frente do governo paulista serão detalhadas, com a preocupação de evitar um viés excessivamente paulista. A mensagem é que, se obteve avanços no estado mais populoso da federação, conseguirá o mesmo resultado no país. A segurança é um dos pontos prioritários da eleição, por meio do qual Bolsonaro tem se projetado com discurso linha dura.

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