Descrição de chapéu Eleições 2018

Doria cada vez mais me coloca como um anti-Doria, diz Márcio França

Ex-prefeito de São Paulo convoca coletiva de imprensa para denunciar uso da máquina

Gabriela Sá Pessoa
São Paulo

O governador de São Paulo, Márcio França (PSB), criticou nesta terça-feira (21) mais uma ofensiva da campanha de João Doria (PSDB) contra ele. Disse que era uma estratégia imatura e inocente. 

“Todos os dias ele tem feito um jeito de polemizar comigo. Ele cada vez mais me coloca como se eu fosse um anti-Doria”, afirmou França, após cumprir agenda de campanha em Taboão da Serra, na Grande São Paulo.

Doria convocou uma entrevista coletiva à tarde para comunicar uma denúncia sobre a eleição estadual à imprensa. Segundo a rádio CBN perguntou ao governador, trata-se de uma funcionária do Palácio dos Bandeirantes que teria usado um e-mail do governo para vasculhar informações a respeito do programa de governo de Doria sobre pobreza, a fim de municiar o França para o debate da TV Bandeirantes, realizado na última quinta-feira (16).

O candidato do PSB ao governo de São Paulo, Márcio França, distribui comida no Bom Prato de Taboão da Serra
O candidato do PSB ao governo de São Paulo, Márcio França, distribui comida no Bom Prato de Taboão da Serra - Gabriela Sá Pessoa/Folhapress

“Acho tudo dele muito fake. A secretária que ele tá falando é uma secretaria de Secretaria de Governo, do Saulo de Castro, que é membro efetivo do diretório estadual do PSDB”, disse o governador.

Questionado pela Folha sobre quem era essa secretária, França respondeu que não sabia o nome dela. “Não sei, eu vi hoje com vocês aqui. Uma moça lá que trabalha e que teria enviado um e-mail para a assessora dele próprio, João Doria”, respondeu.

Segundo o pessebista, essa funcionária transmitia informações para a campanha do PSDB. “Por isso que a assessora do João Doria recebeu um e-mail dela, particular, dizendo que no programa de governo dele não tinha nenhuma coisa relacionada à pobreza. Sinceramente, a gente sabe que o João Doria não entende muita coisa mesmo de pobreza”, afirmou.

“É criar mais um factoide. É igual a cracolândia. Se ele concentrasse um pouco em evitar esse tipo de polêmica, talvez evitasse um pouco de cair todo dia em pesquisa.” 

Pesquisa Ibope divulgada na segunda-feira (20) apontou que Doria e Paulo Skaf (MDB) lideram a disputa ao governo de São Paulo, respectivamente, com 20% e 18% das intenções de voto. França tem 5%, empatado com Luiz Marinho (PT).

O governador avaliou o resultado positivamente: disse que cresceu (na pesquisa anterior, tinha 3%) e que ter 5% de intenções de voto sendo conhecido por 17% dos eleitores “é um número bem razoável”. Ele voltou a afirmar que aposta na associação de seu nome à administração estadual.

No sábado (18), a Folha noticiou que apoiadores de Márcio França (PSB) têm usado a estrutura de prefeituras geridas por aliados para fazer campanha pela reeleição dele e atacar João Doria (PSDB).

Questionado se haveria alguma orientação da campanha para essas práticas, França respondeu que “zero”.

“As críticas ao João Doria surgem de quem é filiado e quem não é filiado. Eu não faço nada. Não é correto ninguém usar a máquina pública em lugar nenhum e nós não autorizamos, não queremos e não recomendamos. Ao contrário, nós alertamos que isso é errado em qualquer instante. Agora, individualmente cada um manifesta seu jeito de poder expressar e o isso não tem como”, afirmou o governador.

Ao lado do candidato ao Senado em sua chapa, Mário Covas Neto (Podemos), França visitou nesta terça (21) a unidade do restaurante estatal Bom Prato, que serve refeições a preços populares, em Taboão da Serra. Visitou a cozinha, tirou fotos e serviu uma dúzia de refeições aos que estavam na fila com bandejas na mão.

Na saída, afirmou que, caso seja reeleito, ampliará o funcionamento dos restaurantes para os finais de semana. O Bom Prato é uma das vitrines da gestão de Geraldo Alckmin (PSDB), que governou São Paulo até abril deste ano e renunciou ao cargo para disputar a Presidência.

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