Descrição de chapéu Eleições 2018

Eduardo Jorge dá 'pito' em ator e cita princesa Leia e veganismo em discurso

Oficializado vice de Marina Silva, médico também defendeu direitos dos animais e 'energia mãe'

Joelmir Tavares Angela Boldrini
Brasília

Personagem das redes sociais na campanha presidencial de 2014, Eduardo Jorge (PV) está de volta. Agora não como presidenciável, mas como vice na chapa de Marina Silva (Rede).

Em seu discurso na convenção que oficializou a candidatura, neste sábado (4), o médico e ex-deputado expressou algumas das bandeiras que levará para a candidatura —como o abolicionismo animal, a questão agroecológica e a revolução energética.

Incorporado à campanha nesta semana, o vice tem divergências com a líder da Rede em alguns temas. Ele defende, por exemplo, o aborto e a descriminalização da maconha, ao contrário da companheira de campanha.

"Ninguém pode ser mensageiro da revolução ambiental se não fez a revolução humana dentro de si", falou ele no evento. "Nós somos um cosmo numa complexidade de uma galáxia. Tão grande quanto uma galáxia", seguiu.

"Nós vamos convocar inclusive a princesa Leia Organa para nos ajudar", disse ele, citando a personagem da franquia de filmes "Star Wars". A guerreira seria, segundo o médico, uma "aliada no processo de resistência da república contra os impérios".

Durante sua participação, Eduardo criticou políticos e partidos tradicionais e exaltou o papel oxigenador que a candidatura dele e de Marina terá.

O vice fez ainda ataques ao capitalismo e disse que é preciso uma revolução energética para mudar o jeito como a sociedade vive, produz e consome. Ele fez uma defesa da "energia mãe", a que provém do sol. “Hoje energia é coisa de gigante petroleiro, hidrelétricas invadindo terras. Petróleo, na verdade, é sol acumulado por milhões de anos lá debaixo da terra.”

Ao falar de desenvolvimento científico, disse que ao seu lado estava um "revolucionário completo" na área da agricultura. Era o ator Marcos Palmeira, que é filiado à Rede e entusiasta de Marina.

Palmeira, convidado para ser o mestre de cerimônias do evento, também é produtor de alimentos orgânicos. Tem uma fazenda no estado do Rio onde planta hortaliças e produz leite.

"Existe alguma coisa mais importante do que a agricultura, na economia?", questionou o vice, voltado para o ator. Dizendo-se uma pessoa sem "fetiche de indústria", ele comparou: "Eu posso viver até sem essa maquininha, esse celular, negócio que fica me controlando o tempo todo, mas não posso viver sem que ele [Palmeira] me produza alimento".

Mais adiante, no entanto, Eduardo deu um puxão de orelha em Palmeira. "Mas vocês precisam abaixar um pouquinho o preço desse negócio [alimentos orgânicos]", pediu, rindo.

Depois foi a vez da bandeira da agricultura agroecológica. Eduardo disse que a alimentação deve ser saudável, "de preferência vegetariana e vegana. Essa é a tendência de mudança revolucionária no mundo".

Uma das razões, explicou o verde, é que "não se admite mais que escravos de outras espécies fiquem sofrendo para produzir alimentos". Era uma alusão a animais como bois, frangos e porcos.

"Já há segurança na produção completa para abolir a escravidão das espécies que convivem conosco. Abolicionismo animal! Eles têm direito à terra, ninguém disse que eles estão aqui para ser escravos nossos e serem torturados diariamente para colocar um pedaço de carne na mesa", protestou.

'SONHÁTICOS'

Em outro momento, falando de "governabilidade mundial", ele propôs que não só as grandes potências tenham peso nas decisões globais e em órgãos como a ONU. Criticou, por exemplo, a política do presidente americano, Donald Trump, de dizer que os Estados Unidos devem vir em primeiro lugar.

"Nada se fará de construtivo e de perene se não houver articulação, discussão, consenso. Entre grandes potências, nações emergentes e também pequenos países, como Uruguai, ilhas que ficam lá nas polinésias."

Nos assuntos mais locais, Eduardo Jorge seguiu a linha de pensamento da colega de candidatura, a quem chamou de "uma mulher extraordinária". Ele afirmou que o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) foi correto e que Marina acerta ao dizer que a Justiça tem que valer para todos.

Chegou a sugerir, no entanto, uma mudança no nome da coligação, batizada de "Unidos para Transformar o Brasil". Na visão dele, o slogan poderia priorizar a mensagem do entendimento. "Prefiro que ela [Marina] seja a candidata da pacificação. Pacificar para transformar", disse.

"Para que nós possamos ser, não sei se usa isso ainda na Rede, sonháticos", prosseguiu o verde, "tem que ter uma mulher que seja sonhática, mas tenha os pés fortemente fincados na terra".

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