Descrição de chapéu Eleições 2018

Lacerda vai respeitar decisão e retirar candidatura em Minas, diz presidente do PSB

Acordo entre PT e PSB determina apoio nos estados; petistas oferecem vaga de senador

Catia Seabra Carolina Linhares
São Paulo e Belo Horizonte

O presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, se reuniu nesta quarta-feira (1) com o pré-candidato do partido ao governo de Minas Gerais, Márcio Lacerda, para informar a decisão da sigla de apoiar a reeleição do governador Fernando Pimentel (PT) no estado. 

Um acordo firmado entre o PT e o PSB nacionalmente determina o apoio mútuo nos estados e, portanto, mina a candidatura de Lacerda em Minas. Segundo o presidente nacional do PSB, Lacerda não concordou com a articulação nacional, mas respeitou a decisão do partido.

"Sou amigo de Lacerda. E lamento que na política a gente nem sempre faça o que quer", disse Siqueira. 

Em nota, o presidente do PSB em Minas, João Marcos Grossi, afirmou ter entendimento contrário à decisão da direção nacional de dar apoio ao PT no estado. A avaliação, porém, é de que não há como burlar a determinação, já que as candidaturas estaduais têm que ser aprovadas pela direção do partido. 

Com a retirada da candidatura de Marília Arraes (PT) em Pernambuco para apoiar o governador Paulo Câmara (PSB) nesta quarta, os petistas de Minas Gerais já esperavam a retirada da candidatura de Lacerda como parte do acordo. 

Márcio Lacerda, que vai anunciar a retirada da pré-candidatura ao governo de Minas
Márcio Lacerda, que vai anunciar a retirada da pré-candidatura ao governo de Minas - Alex Ferreira - 1.mar.16/Câmara dos Deputados

Coordenador da campanha de Pimentel, o deputado federal Odair Cunha (PT-MG) afirmou à Folha que Lacerda pode ocupar a vaga de senador na chapa petista se quiser.

"Nós vamos buscar o entendimento com o ex-prefeito Márcio Lacerda de que ele também possa, se quiser, ocupar espaço de representação majoritária nessas eleições ainda", disse. "Na chapa do governador [Pimentel], como senador", completou.

"O PSB em Minas vai ter que discutir o que vai fazer. Do ponto de vista do PT e da campanha do governador Fernando Pimentel, há 100% de abertura para esse diálogo", disse Cunha. 

"O que nós buscamos nesse momento é fazer o entendimento nacional que interessa ao PT e ao PSB.

Nessa conjuntura, vamos apoiar o PSB onde ele governa e esperamos reciprocidade do apoio do PSB onde o PT governa. Logicamente isso impõe uma nova conjuntura em Minas", concluiu o deputado petista. 

Na conversa com Siqueira, em um hotel em Belo Horizonte, Lacerda se recusou a integrar a chapa do PT como candidato ao Senado. 

Em nota enviada à imprensa, a campanha de Pimentel deu como certa a saída de Lacerda e afirmou que o acordo nacional entre PT e PSB foi articulado pelo governador. 

"O grande articulador político deste acordo é o governador Fernando Pimentel, que negociou nacionalmente esta aliança. Conhecido como grande articulador político, Fernando Pimentel fez jus à política mineira e inicia o mês de agosto na campanha à reeleição ao governo de Minas Gerais com muita força política", diz o texto.

PESAR

Nos bastidores, a decisão de acordo com o PT foi recebida com pesar na campanha de Lacerda. O ex-prefeito de Belo Horizonte aparece em terceiro lugar nas pesquisas, atrás de Antonio Anastasia (PSDB) e Pimentel (PT), e já havia visitado mais de 200 cidades em pré-campanha. 

Lacerda contava com o apoio do PDT e do Pros e, na última semana, avançou para fechar aliança com o MDB, PV, Podemos, PRB e DEM, o que daria maior tempo de TV e competitividade à candidatura. 
Com a viabilidade garantida em Minas, Lacerda inclusive rejeitou a vaga de vice-presidente na chapa de Ciro Gomes (PDT), caso o PSB decidisse apoiar o pedetista. 

A saída de Lacerda também beneficia o pré-candidato Rodrigo Pacheco (DEM), com quem ele divide a "terceira via" num estado polarizado entre PT e PSDB há várias eleições —tendência que deve se repetir neste ano. 

Lacerda, que se hoje opõe a Anastasia e Pimentel, chegou à prefeitura de Belo Horizonte, na eleição de 2008, apadrinhado pelo governador petista, então prefeito da capital mineira, e pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG), então governador. 

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