Descrição de chapéu Eleições 2018

Marina mira 'construção' sobre Bolsonaro

Candidata critica adversário pela proposta de liberar armas e se omitir sobre diferença salarial entre homens e mulheres

Italo Nogueira
Rio de Janeiro

Alvo da estratégia de “desconstrução” na campanha de 2014, a presidenciável Marina Silva (Rede) fez nesta sexta-feira (31) críticas ao adversário Jair Bolsonaro (PSL), mas evitou comparar sua tática com a estratégia de que foi vítima há quatro anos.

Os ataques às propostas do capitão reformado ocorreram tanto numa roda de conversa com empresários, na Firjan (Federação da Indústria do Rio de Janeiro), como numa espécie de “entrevista pública” na praça do Rodo, no centro de São Gonçalo (RJ), com moradores da região.

Candidata Marina Silva durante agenda de campanha no Rio de Janeiro
Candidata Marina Silva durante agenda de campanha no Rio de Janeiro - Ricardo Moraes - 31.ago.2018/REUTERS

“Vou construir o Brasil que eu quero. E construindo nós estaremos combatendo aquelas propostas de saudosismo da ditadura, aquelas ideias que tentam discriminar negros, mulheres e índios. Meu compromisso é fazer uma campanha limpa, sem desconstrução, debatendo propostas e ideias”, disse a ex-ministra, quando questionada se Bolsonaro era o candidato a ser desconstruído.

Marina criticou a proposta de liberar o porte de armas e a ausência de proposta para igualar os salários de homens e mulheres que desempenham a mesma função

“Além da gente pagar imposto, ter que sustentar um monte de gente nos ministérios e no Congresso, ainda vem dizer que quem vai defender a sua casa, a sua família, sua escola, a sua propriedade é você mesmo com uma arma? Isso não tem cabimento”, declarou Marina em São Gonçalo.

Assim como no debate na Rede TV!, Marina criticou a posição de Bolsonaro sobre a ausência de responsabilidade do governo federal sobre diferença salarial por gênero. “O Estado tem que fiscalizar a diferença de salários entre homens e mulheres”, disse ela.

A ex-ministra também mencionou a defesa do candidato do PSL para interromper a demarcação de novas áreas indígenas. “Não se pode ser presidente da República para governar os que podem, os que sabem, os que têm. Presidente da República tem que defender sobretudo aqueles que são mais frágeis”, declarou a empresários.

A candidata da Rede foi alvo de fortes críticas em 2014 pela campanha da então presidente Dilma Rousseff (PT). À época no PSB, ela liderava as pesquisas após a morte de Eduardo Campos, candidato original à Presidência. Os ataques desidrataram sua candidatura.

Marina também comentou indiretamente a redução do detalhamento de seu plano de governo nesta eleição. Aliados afirmam que a riqueza de informações da proposta apresentada em 2014 serviu como munição para adversários.

“Nenhum país avança se ficar preso apenas às propostas. Há muitos candidatos preocupados em fazer um elenco de propostas para apresentar. Em 2014, os candidatos tinham propostas para tudo: creche, ensino técnico… Propostas têm que ser calcadas em propósito”, disse ela.

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