Descrição de chapéu Eleições 2018

Na TV, Marina Silva tentará fazer ponte para a internet

Candidata quer aproveitar seus 21 segundos para fixar principais mensagens e chamar eleitores para as redes

Angela Boldrini Joelmir Tavares
Brasília e São Paulo

A candidata Marina Silva (Rede) terá um programa direcionado a mulheres e chamará o eleitor para conteúdos das redes sociais. Ela abrirá o horário eleitoral de TV reservado aos presidenciáveis, neste sábado (1º).

Marina já gravou praticamente todas as inserções. No fim de semana, ela passou horas em São Paulo fazendo as imagens.

Como a campanha queria aproveitar a diária do estúdio, os trabalhos entraram pela madrugada.

Os programas na TV, de apenas 21 segundos por bloco de 12min30s, devem ser usados para tentar atrair o possível eleitor às redes sociais da candidata.

Lá, sem limitação de tempo, a equipe tem postado vídeos de maior duração.

Cálculo do jornal O Globo mostrou que Marina já falou mais nos debates da Band e da RedeTV! do que aparecerá em todos os programas eleitorais somados.

Nos dois debates, foram 26 minutos no total e, no horário gratuito, serão 24min36s ao longo de 36 dias.

Um dos primeiros programas a serem exibidos é direcionado ao eleitorado feminino, o principal foco da ex-senadora em sua terceira tentativa de chegar ao Planalto.

A equipe, no entanto, faz mistério sobre qual será a primeira inserção da candidata. O sigilo, segundo integrantes, é para causar maior impacto.

"Estratégia é estratégia", diz Lourenço Bustani, coordenador-geral da campanha.

Ele afirma apenas que o programa terá uma estrutura "pouco ortodoxa" e usará recursos inéditos no Brasil.

Uma das propostas, de acordo com o auxiliar, é "ousar na estética", a exemplo do que já vem ocorrendo nos vídeos de Marina para as redes sociais.

Um dos filmes divulgados, sobre as origens da ex-senadora e sua relação com a natureza, tem ares de documentário e é todo em preto e branco.

Segundo Lourenço, a ideia é martelar as principais mensagens da candidatura.

Se for preciso atualizar algum ponto ou incluir alguma resposta ao longo da campanha, a presidenciável será chamada para gravar novamente.

A coligação da ex-senadora foi uma das que pediram ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para dividir as inserções de 30 segundos a que a candidata tem direito (serão 29 no total) em duas de 15 segundos.

A estratégia era aparecer menos, porém mais vezes, ao longo da programação diária na televisão. A Justiça, no entanto, negou a solicitação.

Como em outras ações da campanha de Marina, a produção é composta principalmente por voluntários. O cineasta Fernando Meirelles, um dos consultores da candidata, não participou da gravação.

Ele afirmou à Folha em entrevista neste mês que cedeu imagens para a propaganda na TV, mas que não participaria mais ativamente por estar no processo de finalização de um longa-metragem.

Na terça-feira (28), questionada sobre o horário eleitoral ao sair de um evento, Marina foi tão breve quanto os parcos segundos que terá na TV.

"Será uma grande surpresa, principalmente para o exercício do poder de síntese", afirmou a candidata.

Pouco depois, em transmissão ao vivo no Facebook, ela fez piada com as perguntas sobre como será o programa. Disse que daria "uma palinha" sobre ele e então mostrou para a câmera um pedacinho de palha de aço.

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