'Pezão não fez um bom governo', diz o ex-aliado Eduardo Paes

O emedebista afirmou que votará no ex-prefeito

Italo Nogueira
Rio de Janeiro

O ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes (DEM), candidato ao governo fluminense, criticou a gestão do ex-aliado Luiz Fernando Pezão (MDB), atual ocupante do cargo.

Com o objetivo de se afastar da imagem do impopular governador, Paes disse que, se eleito, fará um "governo muito diferente do de Pezão". Em entrevista à Folha, o emedebista afirmou que votará no ex-aliado.

“A conjuntura que ele enfrentou era difícil, eu reconheço. Mas ele não teve capacidade de reagir a essa conjuntura. Não fez um bom governo. Reconheço o esforço no acordo fiscal, mas na maioria das áreas ele foi muito mal”, disse ele após reunião que oficializou a aliança com o PPS.

O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão - Zo Guimaraes /Folhapress


Paes também fez críticas à condução das UPPs (Unidade de Polícia Pacificadora), bandeira da gestão Sérgio Cabral (MDB), outro ex-aliado. Para ele, o projeto se tornou “um fim em si mesmo”.

“Nunca escondi minhas contestações ao projeto das UPPs. Eu não fazia crítica pública. Quando você está governando, faz a crítica, mas interna”, afirmou o candidato do DEM.

Paes expôs de forma direta nesta quarta crítica que já havia feito de forma velada ao lançar oficialmente sua pré-candidatura, na semana passada. Na ocasião, afirmou que “faltou comando” ao governo na gestão da segurança pública, atualmente sob intervenção federal.

O ex-prefeito deixou o MDB em março a fim de se desvincular da imagem do partido, cujas lideranças foram presas em decorrência da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro. Ainda assim, a antiga sigla de Paes decidiu apoiá-lo nesta eleição.

“Pezão é uma realidade. Foi um governo que infelizmente não acertou. Governo que trouxe muitos problemas para o Rio, não teve capacidade de agir. Ele enfrentou uma conjuntura muito difícil: crise econômica, fiscal, moral. Mas um grande governante vive a crise e supera a crise. Infelizmente ele não conseguiu fazer isso. Meu governo será muito diferente do governo do Pezão”, disse ele.

Paes recebeu o apoio do PPS, que retirou a pré-candidatura do antropólogo Rubem César Fernandes, fundador da ONG Viva Rio. Ele não conseguiu formar alianças regionais e acabou sem força para manter sua postulação.

Seu nome foi oferecido para ocupar a vice de Paes. O candidato do DEM afirmou que vai aguardar o fim das negociações com os demais partidos para definir seu companheiro de chapa na campanha.

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