Descrição de chapéu Eleições 2018

Romário se aconselha com brizolista e réu

Candidato ao governo do Rio, senador percorre estado com Vivaldo Barbosa e deputado Geraldo Moreira

Italo Nogueira
Rio de Janeiro

Com imagem distante do sistema político, o senador Romário (Podemos), candidato ao governo do Rio, reuniu em torno de si nomes de diferentes tipos para organizar sua pré-campanha.

O ex-jogador percorreu o estado ao lado de Vivaldo Barbosa, figura historicamente ligada a Leonel Brizola (1922-2004), e do deputado estadual Geraldo Moreira (Podemos), réu sob acusação de homicídio. Os dois foram chamados de "amigos", junto do deputado e pastor Ezequiel Teixeira (Podemos), na convenção que oficializou sua candidatura.

Há oito anos na política, Romário não tem um grupo político fechado. Seu principal conselheiro é o chefe de gabinete Marcos Antônio Teixeira, cientista político. Mas o senador é conhecido por saber ouvir as sugestões de pessoas mais experientes no meio.

Moreira já estava no PTN quando a sigla mudou de nome e abrigou Romário. O ex-jogador se tornou presidente regional do Podemos e visitou alguns municípios ao lado do deputado, líder do partido na Assembleia Legislativa.

Há mais de dez anos Moreira é réu numa ação penal sob acusação de homicídio.

O Ministério Público o acusa de ter mandado matar o namorado de sua ex-mulher em 2008. Outros cinco envolvidos já foram condenados, mas o deputado, por ter foro especial, não foi julgado no mesmo processo. Ele negou em outras oportunidades a acusação e não foi localizado pela Folha para comentar o caso.

Já Barbosa estava no PPL até março, quando a sigla passou a negociar o acordo, concretizado, com o ex-governador Anthony Garotinho (PRP). Saiu da sigla e recebeu em seguida um telefonema de Romário, convidando-o para disputar o Senado pelo Podemos.

"Ele é um líder popular. É uma personalidade mundial que sabe da vida do povo mais pobre. Me deu a expectativa de que poderia ser um novo fenômeno na política", disse Barbosa, segundo suplente de Romário no Senado.

Após percorrer o estado com o ex-jogador, o brizolista ouviu as palavras mais carinhosas do senador na convenção do Podemos: "Você é um guerreiro, um exemplo, e eu quero seguir esse exemplo".

Vivaldo, contudo, discordou do acordo de Romário com o PR, que indicou o vice da chapa, o ex-PM Marcelo Delaroli. "Esses últimos movimentos políticos dele não foram os mais sábios. O grupo político em torno do vice tem uma tradição de fisiologismo muito forte. O que a gente estava construindo era uma candidatura limpa contra tudo o que se reuniu em torno do Eduardo Paes."

A candidatura ao Senado de Vivaldo não se concretizou. Com a Rede, a coligação lançou o deputado Miro Teixeira como candidato único. Mas o brizolista afirma que seguirá com o ex-jogador. "Não fui ouvido nas últimas decisões. Espero que ele se organize para diminuir os efeitos desses últimos movimentos", diz.

 

Romário de Souza Faria, 52

O senador fluminense fez fama no futebol. Atacante, ficou conhecido por usar a camisa 11 na seleção e em times como Vasco, Flamengo, no Brasil, e Barcelona, na Espanha.

Elegeu-se deputado federal em 2011 e senador em 2014. Na política, além do esporte, atua em projetos voltados para pessoas com deficiência e doenças raras.

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