Descrição de chapéu Eleições 2018

Voluntários de Marina mantêm 'fábrica de memes' para candidata

Redes sociais são o foco da candidata, que tem só 21 segundos no horário eleitoral

Angela Boldrini
Brasília

"Quero agradecer a todos os operários e operárias", começa a dizer a candidata da Rede, Marina Silva, em áudio de WhatsApp. A fábrica a que ela se refere, porém, é um pouco diferente das convencionais: trata-se do grupo "Fábrica de Memes", que reúne 59 voluntários da campanha da ex-senadora.

Eles são os responsáveis por produzir e veicular "memes" (uma publicação com amplo potencial de reprodução somada a uma dose de humor) sobre a candidata e seus adversários para impulsionar o engajamento de Marina nas redes sociais, em páginas de apoiadores e grupos de "zap".

"[O meme] tem poder de convencimento, de chegar até as pessoas, de trazer para o dia a dia", afirma o coordenador de comunicação da Rede em São Paulo, Sadao Futaki, 41. Ele é um dos participantes do grupo, que, diz, não tem uma hierarquia.

De acordo com ele, os membros não são necessariamente filiados à Rede. A maioria tem idades entre 18 e 35 anos. "Produzimos entre 15 e 20 memes por dia, mas só um ou dois costumam ser aprovados ", diz ele, segundo quem as piadas não podem ultrapassar o "limite do humor". "Mas se não ousar nada também, é sem graça."

As imagens são avaliadas pelos próprios membros do grupo. "Quanto mais sagaz melhor, e também tem que ser dentro dos nossos valores. Fica aquele clichê, de qual é o 'limite do humor'."

O trabalho é intensificado durante os debates na televisão, como o da RedeTV!, quando Marina protagonizou um embate com Jair Bolsonaro (PSL). Nessas horas, o psicólogo Dario Schezzi, 39, volta ao grupo para ajudar na produção das peças.

"Saio do grupo durante o dia, aí quando tem um debate eu volto. A gente fica sentado fazendo meme e soltando na hora", diz ele, que usa o site "MemeGenerator" e o programa Canva para a produção das imagens.

Os usuários são orientados a evitar fazer ataques a adversários (um dos "memes" do grupo é o "foca na Marina" —a montagem de uma foca com a cara da ex-senadora).

No áudio em que agradece os "operários" dos memes, a candidata também dá uma bronca ("muito carinhosamente", diz): "Lembrem que nossa campanha é de luta e de paz". O recado, dizem voluntários, era para que não se fizessem piadas agressivas contra outros candidatos.

Algumas piadas com rivais, porém, são permitidas. Depois da sabatina de Bolsonaro no Jornal Nacional, o grupo confeccionou uma montagem em que o deputado aparece fugindo de Marina e da apresentadora do telejornal montadas em uma moto. "Quando você é o Bolsonaro e vê uma Marina Silva e uma Renata Vasconcellos em uma moto", diz a legenda.

O meme é inspirado em outros do mesmo tipo que brincam com o medo de internautas de "encontrar dois caras em uma moto", método utilizado por assaltantes.

Outra iniciativa também visa bombar a candidata nos debates: paralelo ao de memes, um grupo de voluntários faz "tuitaços" durante a participação da candidata em debates e sabatinas. O objetivo é alavancar as menções a ela até os "trending topics" do Twitter.

A rede social, aliás, tem sido um investimento da campanha neste ano. Segundo o coordenador de mobilização, Lucas Brandão, o Twitter é uma novidade em relação a 2014. Ele diz que, há quatro anos, a ferramenta estava apagada, mas que nesta campanha "ressurgiu" como modo de engajamento. "Dá para ter uma interação mais lúdica com eleitores."

Não à toa, a candidata é a que mais soma seguidores nessa rede. São mais de 1,8 milhão de perfis seguindo o perfil de Marina. Bolsonaro, que lidera isolado nas outras plataformas online, acumula 1,3 milhão.

As redes sociais são o principal ponto de investimento da candidata que tem apenas 21 segundos no horário eleitoral. Nas páginas oficiais, o principal conteúdo são os vídeos produzidos pela campanha e as transmissões ao vivo que a ex-senadora faz semanalmente.

Ambas as iniciativas são parte dos voluntários que a campanha tem utilizado para diversas funções.

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