Descrição de chapéu Eleições 2018

Após queda, Marina Silva eleva tom e tenta turbinar campanha em redes sociais

Candidata, que perdeu metade das intenções de voto, criticou Haddad e Bolsonaro no fim de semana

Joelmir Tavares
São Paulo

Depois de fechar a semana com o Datafolha mostrando seus índices de intenção de voto despencarem, a candidata Marina Silva (Rede) deu declarações de maior impacto no fim de semana e buscou turbinar a campanha em redes sociais.

Na intenção de provar que está viva na disputa, valeu até meme: neste domingo (16), seu perfil no Twitter postou uma foto da ex-senadora no balcão de uma padaria apontando para a vitrine. "Esse salgado aí é de quê?", dizia a mensagem, replicando brincadeira popular nas redes sociais.

A pesquisa de sexta-feira (14) foi o sinal de alerta máximo na equipe até agora, embora em público Marina queira demonstrar animação e apele para a mobilização dos voluntários. Ela marcou 8% no levantamento, metade do que tinha quando sua candidatura foi registrada, em agosto.

No dia seguinte, em Vitória (ES), a presidenciável subiu o tom ao criticar a novela jurídica envolvendo a candidatura do PT. Para ela, a indefinição ao longo dos últimos meses favoreceu Fernando Haddad.

"O candidato do PT foi blindado durante esse tempo todo de explicar por que nos governos Dilma/Temer o Brasil foi perdendo tudo de bom que havia no governo Lula", disse ela ao jornal A Gazeta.

Ainda à publicação, que afirmou que ela estava afiada na ida ao estado, Marina falou que Jair Bolsonaro (PSL) é o tipo de candidato que "vai governar para os poderosos, para os ricos" e que se mostra contrário a negros, índios, mulheres e minorias.

A candidata também vem atacando a invasão de hackers na página de Facebook "Mulheres Unidas contra Bolsonaro". Ela qualificou a atitude como inaceitável e defendeu investigação, associando o episódio às "mesmas técnicas usadas no exterior para interferir no resultado das eleições".

A curva descendente nas pesquisas já vinha preocupando aliados da líder da Rede, que não esperavam, no entanto, uma queda tão brusca. Em privado, colaboradores admitem que a situação se complicou bastante nos últimos dias.

Diante da diminuição, a titular da candidatura repisou o discurso de que os levantamentos são um retrato do momento e falou que sua estratégia "é continuar falando a verdade".

"Ninguém pode fazer discurso de oportunismo em função de querer ganhar voto", afirmou. Uma das frases mais repetidas no entorno dela é que a atual eleição é a mais incerta da história recente.

Desde sexta, os perfis da presidenciável nas redes sociais intensificaram o ritmo de publicação. "Nós estamos disputando com eles palmo a palmo. Tem muita gente aí querendo tirar a gente, dizendo que vão [nos] desidratar. Vão nada!", disse a presidenciável em vídeo divulgado no sábado (15).

Naquele dia, a rede de voluntariado tinha conseguido levar a hashtag #ElaSim, de apoio a Marina, ao primeiro lugar de assuntos mais comentados no Twitter. Outras mobilizações têm sido feitas desde então, se esforçando para manter o nome dela em alta.

Com apenas uma aliança no plano nacional, com o PV, e palanques frágeis nos estados, a ex-ministra do Meio Ambiente conta com a colaboração dos cabos eleitorais para tentar propagar sua candidatura.

A mensagem que tem sido trabalhada com os voluntários é que a batalha não está perdida e que é hora de união para tentar levar a presidenciável ao segundo turno. Nesta terça-feira (18), no que está sendo chamado de "dia M", eles deverão fazer panfletagem em várias cidades e tentar convencer outros eleitores.

Marina priorizou agendas de rua no sábado e no domingo, embora a previsão para a semana jogue contra a intenção de aumentar o número de atividades em locais abertos. Como a Folha mostrou, a estratégia do corpo a corpo traçada pela equipe tem patinado.

A ex-senadora está em Aracaju (SE) nesta segunda-feira (17), mas terá que ficar em São Paulo a partir de quarta-feira (19) para uma série de sabatinas e entrevistas em veículos de comunicação.

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