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Bolsonaro é submetido a cirurgia de emergência em SP

Procedimento durou cerca de uma hora; candidato passa bem, mas alta deve ser postergada

São Paulo e Brasília

O presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) foi submetido a uma cirurgia de emergência na noite desta quarta-feira (12) no hospital Albert Einstein, em São Paulo. O procedimento durou pouco mais de uma hora e o candidato passa bem.

A informação da cirurgia de emergência foi confirmada à Folha inicialmente pelo presidente da UDR (União Democrática Ruralista), Nabhan Garcia, que é amigo e apoiador de Bolsonaro.

De acordo com o hospital Albert Einstein, Bolsonaro teve náuseas e foi submetido a uma tomografia. O resultado levou a equipe médica a submetê-lo a uma nova cirurgia, que durou cerca de uma hora, conduzida pelo médico Antônio Macedo.

Foram retiradas aderências que obstruíram o intestino delgado, e corrigida uma fístula surgida em uma das suturas feitas na operação inicial após o atentado em Juiz de Fora, na quinta (6).

Os médicos decidiram pela operação quando ficou claro que o quadro evoluiu para ou uma obstrução completa do intestino delgado ou para o risco de necrose de partes do órgão. São decorrências comuns em casos assim, e graves.

O quadro clínico do capitão reformado piorou na manhã desta quarta (12), quando foi reintroduzida a alimentação venosa após ele ter reagido mal à tentativa de reiniciar o trânsito intestinal com o consumo de sólidos.

O Albert Einstein informou ainda que não vai se manifestar até o próximo boletim médico, que deve ser divulgado às 10h desta quinta-feira (13). 

Segundo Gustavo Bebianno, advogado de Bolsonaro e presidente do PSL, a nova cirurgia deve fazer com que a saída do presidenciável do hospital seja postergada.

"A previsão de alta ainda era indefinida. Estimava-se que ficaria mais uma semana,  dez dias, se corresse tudo bem. Agora certamente vai atrasar", disse na frente do hospital Albert Einstein, no Morumbi, em São Paulo.

Bolsonaro havia passado os últimos dois dias na unidade de cuidados semi-intensivos.

Aliados do candidato esperavam que ele já pudesse começar a gravar vídeos para as redes sociais nesta semana. Diante da mudança do quadro de saúde, o plano terá de ser retomado posteriormente.

Flavio Bolsonaro (PSL), filho do deputado, usou as redes sociais para se pronunciar sobre o estado de saúde do pai e comemorou o fim da cirurgia.

"A cirurgia de emergência acabou bem, graças a Deus! Meu pai está pagando um preço muito alto por querer resgatar o Brasil, está literalmente dando seu sangue", escreveu.

Mensagens de pedido de apoio foram publicadas por outros dois filhos do capitão reformado: Renan Bolsonaro e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

 

Entenda a cirurgia

A aderência ocorre quando dois tecidos do corpo grudam, formando uma espécie de cicatriz. Acontece como resposta do organismo a fatores como cirurgia ou processo inflamatório.

Segundo médicos ouvidos pela Folha, a cirurgia (laparotomia) a que Bolsonaro foi submetido tem a finalidade de desgrudar esses tecidos para restabelecer o trânsito intestinal.

Após soltar as alças intestinais, os cirurgiões devem fazer uma lavagem de toda a cavidade abdominal e observar se o intestino volta a funcionar. Às vezes, a movimentação intestinal já começa a acontecer ainda durante a cirurgia.

De acordo com especialistas, aderências e abcessos podem acontecer em casos como o de Bolsonaro por conta do alto risco de infecções provocado pelas fezes que caíram na cavidade abdominal após a perfuração do intestino.

Igor Gielow , Talita Fernandes , Guilherme Seto e Cláudia Collucci
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