Descrição de chapéu Eleições 2018

Bolsonaro votou contra CPMF que Guedes quer recriar e a associou a 'cubanização'

Presidenciável e aliados ainda tentam entender e explicar ideia do guru econômico da campanha

Talita Fernandes Guilherme Seto
Brasília e São Paulo

Em outubro de 2007, quando o projeto de prorrogação da CPMF até 2011 chegou à Câmara dos Deputados, o parlamentar Jair Bolsonaro (PSL-SP) manifestou-se contrariamente nos dois turnos de votação. Mais do que isso, fez discursos enfáticos durante anos atacando o imposto, que chamou de "cubanização".

Em anúncio para uma plateia reduzida nesta terça-feira (18), revelado pela colunista da Folha Mônica Bergamo, Paulo Guedes, guru econômico de Bolsonaro, disse que pretende recriar um imposto nos moldes da CPMF, que incide sobre movimentação financeira. Ele disse ainda que deve criar uma alíquota única do IR (Imposto de Renda) de 20% para pessoas físicas e jurídicas —e aplicar a mesma taxa na tributação da distribuição de lucros e dividendos.

Por outro lado, ele estuda eliminar a contribuição patronal para a previdência, que incide sobre a folha de salário —que tem a mesma alíquota, de 20%.

"Vamos partir para onde? Para a cubanização, como uma forma de salvar o País? Volta da CPMF; nova alíquota do Imposto de Renda; taxação de grandes fortunas. Um Governo canalha, corrupto, imoral, ditatorial!", disse Bolsonaro em 2015 na Câmara, quando o governo Dilma Rousseff (PT) manifestou intenção de recriar o imposto e não teve sucesso.

No mesmo ano, ele associou a ideia de recriar a CPMF a uma crise de autoridade da presidente.

"São taxas de juros altíssimas, economia estagnada, empresários chamados novamente para pagar a conta, propostas de aumento de impostos e criação de outros, como a CPMF. Isso tudo reflete uma crise de autoridade que vemos no momento. O Brasil está doente, e o nome dessa doença chama-se Dilma Rousseff", afirmou.

Bolsonaro retomou a discussão em suas redes sociais e escreveu: "governo quer volta da CPMF alegando investimento no Mais Médicos: 60% para os Castro e 40% para o 'profissional'. VIVA CUBA, PAGUE SEMPRE BRASIL!".

 A Câmara aprovou, em 2007, a prorrogação da CPMF até 2011, mas o Senado a derrubou na sequência. 

Nesta quarta-feira (19), Bolsonaro e seus aliados ainda tentam entender e explicar publicamente a proposta de Guedes, que não tratou do tema com eles antes de fazer a palestra a um grupo reunido pela GPS Investimentos, especialista em gestão de grandes fortunas.

Em suas redes sociais, o presidenciável escreveu horas após a publicação da reportagem da Folha que sua "equipe econômica trabalha para redução de carga tributária, desburocratização e desregulamentações. Chega de impostos é o nosso lema! Somos e faremos diferente. Esse é o Brasil que queremos!".

À reportagem, o general Hamilton Mourão (PRTB), vice da chapa de Bolsonaro, disse que não poderia opinar profundamente e "de chofre", já que o tema não havia sido apresentado a ele por Paulo Guedes.

"Quem decide é o Bolsonaro, né? O Paulo apresenta suas linhas de ação e o Bolsonaro avalia se as vê como pertinentes. Como possível ministro da Fazenda, ele dá as ideias, mas o presidente é o Bolsonaro, a decisão final é dele", disse o militar.

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.