Delator da operação Sevandija é demitido da Prefeitura de Ribeirão Preto

Wagner Rodrigues foi condenado a 11 anos de prisão em regime aberto por escândalo de corrupção

Marcelo Toledo
Ribeirão Preto (SP)

Delator da operação Sevandija, Wagner Rodrigues, ex-presidente do Sindicato dos Servidores, foi demitido da Prefeitura de Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo).

A demissão de Rodrigues, ex-candidato à prefeitura em 2016 pelo PCdoB, foi publicada na edição desta quarta-feira (19) do Diário Oficial do Município.

Por meio da portaria 1.162, com data da última segunda-feira (17), o prefeito Duarte Nogueira (PSDB) diz acolher relatório final de uma comissão processante aberta pela administração para aplicar a pena disciplinar de demissão do servidor.

Presidente do sindicato dos servidores, Wagner Rodrigues
Presidente do sindicato dos servidores, Wagner Rodrigues - Edson Silva - 20.out.2013/Folhapress

Rodrigues, que era lotado na Secretaria da Saúde, mas estava afastado do cargo, cometeu “conduta escandalosa e incontinência pública”, conforme o governo. Ele foi condenado no último dia 5 a 11 anos de prisão em regime aberto por envolvimento com o escândalo de corrupção, considerado o maior da história de Ribeirão Preto.

O ex-presidente do sindicato foi detido seis dias após a deflagração da operação Sevandija, em setembro de 2016, e delatou o funcionamento de esquema de pagamento ilegal de honorários advocatícios existente na prefeitura, que levou outras cinco pessoas à condenação.

Segundo ele, a ex-prefeita Dárcy Vera (sem partido) recebeu R$ 7 milhões dos R$ 45 milhões pagos ilegalmente, conforme a denúncia do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público paulista.

O caso envolve um acordo judicial que resultou no parcelamento de R$ 800 milhões a serem pagos pela prefeitura a servidores devido a perdas decorrentes do Plano Collor. Foram pagos mais de R$ 300 milhões, além dos R$ 45 milhões em honorários –alvo da ilegalidade, conforme a Promotoria.


Os honorários irregulares eram recebidos por uma advogada, que os distribuía aos envolvidos, segundo a denúncia.

De acordo com a Promotoria, os pagamentos eram feitos em dia, enquanto lixo se acumulava na cidade e hospitais não recebiam repasses da administração municipal. Dárcy seria beneficiária da propina para manter os pagamentos.

A ex-prefeita recebeu pena de 18 anos e 9 meses de prisão, que está sendo cumprida na penitenciária de Tremembé. Ela nega elo com o esquema.

Os seis envolvidos foram considerados culpados por associação criminosa e por 43 crimes de desvio de dinheiro público. As defesas informaram que recorrerão da decisão.

A Sevandija foi deflagrada em setembro de 2016 e levou ao surgimento de seis ações penais. Nelas, são processadas 47 pessoas. Os réus são acusados de fraudar licitações cujo montante chega a R$ 256 milhões.

A Folha não obteve contato com o defensor de Rodrigues neste caso envolvendo a prefeitura, mas foi informada que ele deve recorrer da decisão municipal.

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