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Ligados a Crivella, Garotinho e Indio centram fogo contra Paes em debate

Ex-prefeito do Rio de Janeiro foi o principal alvo de ataques de seus concorrentes

Ana Luiza Albuquerque
Rio de Janeiro

O ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes (DEM), candidato ao governo do estado, foi o principal alvo de ataques de seus concorrentes Anthony Garotinho (PRP) e Indio da Costa (PSD), na noite desta quarta-feira (19), em debate promovido pela Folha, UOL e SBT. 

Garotinho é aliado de Marcelo Crivella (PRB), atual prefeito do Rio e sucessor de Paes, que aparece em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto para o governo. Indio, por sua vez, foi secretário Municipal de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação de Crivella até fevereiro deste ano. 

Debate com os candidatos ao governo do Rio de Janeiro, nesta quarta (19) - Ricardo Borges/Folhapress

Paes e Crivella vêm trocando farpas desde que o segundo assumiu a Prefeitura, em 2017. Enquanto Paes exalta seu legado de obras para o município, Crivella o acusa de ter deixado um rombo nas contas do Rio. Para tentar evitar a vitória do candidato do DEM, o prefeito anunciou apoio a Garotinho, terceiro colocado nas pesquisas.

No debate, Garotinho convidou Indio a relatar a situação em que encontrou a Prefeitura quando assumiu a secretaria de Urbanismo. Embarcando na dobradinha, Indio disse que Paes quebrou o município, gerando uma dívida até 2042 e um rombo na previdência municipal. Segundo ele, mais de 200 obras ficaram paradas.

Garotinho, então, afirmou que o ex-prefeito disse que havia herdado uma Prefeitura quebrada da gestão Cesar Maia (DEM), candidato ao senado e atual aliado de Paes, seu antigo afilhado político. De acordo com Garotinho, Paes, à época, teceu acusações contra Maia. 

"Cesar Maia é corrupto ou Eduardo Paes é mentiroso?", questionou Garotinho a Indio, que participou do governo Maia.

"Trabalhei com Cesar Maia durante muitos anos, é um cara honrado. [Paes] tem o vício da mentira", respondeu Indio. Em seguida, trouxe à tona o que diz considerar contradições do ex-prefeito. 

Entre as situações lembradas, está o fato de, em 2008, Paes ter escrito uma carta pedindo desculpas para a mulher do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marisa Leticia (que morreu em 2017), por ter atacado seu filho. Naquele ano, Paes buscava apoio de Lula na corrida para a Prefeitura do Rio, da qual saiu vitorioso.

Diante dos ataques, Paes afirmou que não pediria direito de resposta a uma pessoa que foi presa três vezes, em referência a Garotinho. "Essa duplinha do Crivella querendo o tempo todo me agredir, deve ser algum desespero de campanha eleitoral", disse.

Em aceno ao aliado Cesar Maia, aproveitou para pedir votos para o senador. "Em nenhum momento recebeu crítica minha sobre sua conduta ética", afirmou.

Quando tomou posse na Prefeitura, em janeiro de 2009, Paes anunciou que paralisaria as obras da Cidade da Música, complexo cultural na zona oeste tocado pela gestão de Maia, e faria uma auditoria nos valores da construção. O projeto, cujas obras levaram cerca de 10 anos e tiveram um custo de mais de R$ 500 milhões, é uma das críticas mais comuns à administração de Maia.

DEBATE NACIONAL

Durante o debate, não faltaram referências à disputa nacional. Enquanto Marcia Tiburi (PT) trouxe repetidamente Lula e Fernando Haddad (PT) para suas falas, Indio teceu elogios a Jair Bolsonaro (PSL).

Questionada se o PT não havia feito uma autocrítica sobre o apoio ao ex-governador Sergio Cabral, que acumula sucessivas condenações na Lava Jato, Tiburi disse que ela própria é efeito desta reflexão. 

"Fui convidada pelo presidente Lula justamente porque não estou envolvida com esses esquemas anteriores. O pessoal de casa sabe como era melhor viver no Rio na época do Lula e da Dilma."

Segundo Indio, seu apoio fica com Bolsonaro por uma única razão: ele é do Rio de Janeiro e está preocupado com a segurança pública. 

"Não está com esse esquema de partidos que faz com que os candidatos eleitos tenham que governar com os políticos", disse, em referência a Geraldo Alckmin (PSDB), que reuniu o centrão em torno de sua candidatura.

Aproveitou, ainda, para fazer críticas ao PT. "O PT roubou o Brasil. O pessoal está endividado porque acreditou no Lula."

Já Pedro Fernandes, candidato do PDT, disse que tem conversado com Ciro Gomes (PDT) sobre a retomada das obras de infraestrutura no Rio. 

Questionado por Tarcísio Motta (PSOL) sobre ter negligenciado a educação na sua administração como governador, Garotinho rechaçou as críticas e completou: "Não tive a mamata que Lula deu para o Paes e o Cabral, que encheu o Rio de dinheiro".

'FUI ENGANADO', DIZ ROMÁRIO

Segundo lugar nas pesquisas, o senador Romário (Podemos), acusado de ter apoiado Cabral (MDB), Luiz Fernando Pezão (MDB) e Aécio Neves (PSDB), afirmou ter sido enganado.

"Por isso estou aqui hoje, cansei de apoiar esses caras. Estou aqui para mudar essa história, cansei de ser enganado", disse.

Questionado sobre as suspeitas de ocultação de bens, Romário voltou a afirmar: "Meu dinheiro eu dou para quem eu quiser. Joguei futebol durante 20 anos, construí meu patrimônio".

Sobre a dívida que mantém com a União no valor de R$ 1 milhão, disse somente que ela está sendo quitada.

INTERVENÇÃO FEDERAL

A discussão em torno da intervenção federal, que tem em dezembro deste ano o prazo final para a permanência do Exército na cidade, foi um dos temas preferidos de Eduardo Paes durante o debate. 

O ex-prefeito disse que, caso eleito, solicitará ajuda das Forças Armadas, mas que o Exército não fará papel de polícia. Segundo ele, o patrulhamento ostensivo será feito pela Polícia Militar e as investigações serão tocadas pela Polícia Civil. 

"Tornar o Exército espécie de figurinha fácil nas ruas não é uma ideia", afirmou. Paes disse que aproveitará a capacidade de planejamento das Forças Armadas e que utilizará as tropas quando necessário, como para impedir a expansão e a retomada de territórios dominados pelo crime organizado.

BATALHA JUDICIAL

Condenado em segunda instância por improbidade administrativa, Garotinho poderia ficar inelegível. O ex-governador, no entanto, continua na disputa porque o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) concedeu liminar em seu favor.

Questionado sobre as acusações, Garotinho sugeriu que foi condenado por ter desafiado políticos do Rio, como Cabral, Paes e Jorge Picciani (MDB), e os denunciados à Lava Jato. 

"Além de botar os políticos na cadeia, está chegando a hora do Judiciário, dos promotores, ou eles não vão?", provocou.

Paes também foi questionado sobre ter sido citado em delações como as de executivos da Odebrecht. "Compete a quem fala comprovar o que diz", respondeu.

Segundo o ex-prefeito, os delatores são explícitos ao afirmar que ele não participou pessoalmente de qualquer negociação de propina.

Em suas delações, colaboradores afirmaram que Paes tinha a alcunha de "Nervosinho" nas planilhas de contabilidade paralela na empreiteira.

Segundo os executivos, a Odebrecht doou em 2012, por meio de caixa 2, mais de R$ 15 milhões para a campanha de Paes à reeleição. 

O ex-prefeito não é réu em nenhuma ação penal no âmbito da Lava Jato. No entanto, Alexandre Pinto, seu ex-secretário de Obras, é réu na Operação Mãos à Obra, desdobramento da Lava Jato fluminense, tendo sido preso duas vezes durante as investigações.

A operação apura suposto esquema de propinas na construção de uma das linhas do BRT, corredor exclusivo de ônibus e vitrine da administração Paes.

O ex-prefeito também voltou a prometer que criará uma secretaria de integridade pública, com o objetivo de acompanhar a evolução patrimonial de agentes do Estado.

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