Descrição de chapéu Eleições 2018

Não tem como explicar para a população, diz candidata rifada por PT em Pernambuco

Marília Arraes trabalhava para ser candidata da legenda ao governo pernambucano

João Valadares
Recife

A vereadora Marília Arraes (PT), rifada da disputa ao Governo de Pernambuco após acordo nacional entre o PT e o PSB, disse que sofreu uma violência sem precedentes. 

Ela concordou com expressão que havia sido utilizada pelo presidenciável Ciro Gomes (PDT) quando esteve, em Caruaru, agreste de Pernambuco, no início do mês. 

"Acho que se houve algo parecido (no Brasil), eu não tive notícia. Não tem como explicar para a população. É esdrúxula essa situação. Não estamos na década de 50 para fazer aliança inexplicável", salientou Marília.

Marília Arraes - Avener Prado/Folhapress

A petista, que agora tenta uma vaga na Câmara Federal, revelou à Folha que é provável que escolha o caminho da neutralidade pública. Não deve declarar em que vai votar para governador de Pernambuco.

"É provável que aconteça uma neutralidade, que eu fique neutra. Agora, existe uma definição: não votarei em Paulo Câmara (PSB)."  

Em relação ao risco de não se posicionar publicamente, Marília avaliou como um movimento natural da política. “Risco se corre de toda maneira. A política é feita de decisões. E todas decisões têm risco. Acredito que se posicionar por alguma candidatura seria pior. Seria repetir um erro”, comentou.

O governador Paulo Câmara, que apoiou o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e votou no tucano Aécio Neves no segundo turno das eleições presidenciais de 2014, conta na sua chapa com o senador Humberto Costa (PT), que tenta renovar o mandato, e com o deputado Jarbas Vasconcelos (MDB). 

Questionada se poderia votar no senador Armando Monteiro (PTB), principal adversário de Paulo, respondeu rápido: "É muito difícil." 

Armando é aliado de dois ex-ministros do presidente Michel Temer, Mendonça Filho (DEM) e Bruno Araújo (PSDB), que disputam o Senado.

A base dos movimentos sociais, que estava junto com Marília Arraes desde o primeiro momento, migrou para Paulo Câmara após o governador receber o apoio formal do PT. 

Há uma semana, durante ato em Caruaru, o MST oficializou o apoio ao pessebista. Um dos coordenadores nacionais do movimento, Jayme Amorim, que fez greve de fome numa tentativa de viabilização da candidatura de Lula, discursou. 

"O nosso ato não é apenas de adesão a Paulo Câmara. É mais do que isso. A gente assume essa tarefa de verdade, com garras, com unhas e dentes." 

Uma semana antes, a Fetape (Federação dos Trabalhadores Rurais de Pernambuco), que também apoiava Marília, aderiu ao governador.

"A situação do MST é mais peculiar do que outro político tradicional. Conversaram comigo. Respeito apesar de discordar”, respondeu.

Ao ser perguntada se continuava a acreditar que Lula não tivesse participado da retirada de sua candidatura, Marília preferiu ressaltar as circunstâncias do cenário eleitoral.

"Lula está preso e não tem contato com o sentimento da base. Independentemente se teve ou não o aval dele, não significa que a gente vá concordar com movimentos que são prejudiciais."
Ela avaliou que o PT não se beneficiou diretamente com o acordo costurado nacionalmente com o PSB.

"Na prática, só beneficiou Paulo Câmara e Fernando Pimentel (governador de Minas Gerais). Não houve benefício prático para o PT”, disse.

Marília Arraes informou que não tem intenção de sair do PT mesmo depois de tudo o que aconteceu. Desconversou sobre 2020 e a possibilidade de concorrer à Prefeitura do Recife. 

"Não posso disputar uma eleição já pensando em outra. O momento político é tão instável. Temos que ganhar a eleição de deputada federal e fortalecer as bases”, finalizou.    

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