Descrição de chapéu Eleições 2018

Palanque duplo em SP, do jeito que está, não ajudou Alckmin, diz Márcio França

Governador diz também que indefinição do eleitor paulista contamina o ambiente nacional

Gabriela Sá Pessoa
São Paulo

A pouco menos de duas semanas do primeiro turno, o governador de São Paulo, Márcio França (PSB), candidato à reeleição, afirmou que a falta de coesão do eleitor paulista pesa na indefinição do cenário eleitoral nacional.

Segundo pesquisa Ibope divulgada nesta segunda-feira (24), o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), que governou o estado nos últimos oito anos, tem 8% de intenções de voto, o que o coloca em quarto lugar na disputa. Na dianteira, Jair Bolsonaro (PSL) tem 28% e Fernando Haddad (PT), 22%.

“Não da pra basear só em pesquisa, mas é claro que é um quadro nacional difícil. E certamente o fato de ter dois palanques, no formato que está, não ajudou”, disse França na noite desta segunda, após discursar a cerca de 70 policiais na Associação dos Subtenentes e Sargentos da Polícia Militar, na capital paulista.

O governador de São Paulo, Márcio França (PSB), que é candidato à reeleição
O governador de São Paulo, Márcio França (PSB), que é candidato à reeleição - Eduardo Knapp - 19.set.2018/Folhapress

Alckmin aparece atrás de Bolsonaro mesmo em São Paulo, segundo as últimas pesquisas. Para a campanha tucana, é fundamental que os dois candidatos alckmistas cheguem ao segundo turno no estado —é nisso que João Carlos de Souza Meirelles, aliado do presidenciável do PSDB e secretário licenciado de França, vem trabalhando.

Para França, pesa também um sentimento de esgotamento de partidos tradicionais, que diz afetar PT e PSDB. 

O governador também afirma que a indefinição do eleitor paulista tem contaminado o ambiente nacional.

“Se São Paulo estivesse completamente unido, votando só de um jeito, com 70%, 80% dos votos, certamente teria influenciado o Brasil.”

França também afirmou que respeita a decisão da Justiça Eleitoral que, primeiramente, suspendeu no domingo (23) a propaganda de João Doria (PSDB) que compara imagens do pessebista obeso a fotos atuais dele, após cirurgia bariátrica, para associá-lo ao PT. 

Para o TRE (Tribunal Regional Eleitoral), não houve ofensa a França, como reclamado pelo PSB, mas não era possível identificar a autoria do vídeo —irregularidade que foi corrigida pela campanha tucana, que manteve a peça no ar. 

“A Justiça fez corretamente e tem que analisar a parte técnica. A minha análise é política. Eu digo: não é uma coisa muito saudável você brincar, ironizar a aparência dos outros. A pessoa que ironiza a aparência dos outros, ela ironiza a pobreza dos outros, a deficiência dos outros, a cor dos outros”, afirmou o governador.

No encontro, França foi aplaudido ao prometer reajuste aos policiais e defender a continuidade do regime atual de Previdência aos servidores públicos. Eventuais mudanças, para o pessebista, só devem atingir contribuintes de uma reforma para a frente.

Um eventual reajuste ao funcionalismo, no entanto, esbarra hoje numa trava da Lei de Responsabilidade Fiscal: São Paulo está perto de atingir o limite prudencial de 49% da receita corrente líquida com salários.

Para cumprir a promessa, ele dependeria de uma arrecadação maior. Nesse sentido, França está otimista com a recuperação das receitas do estado e do país, após um ciclo de crise fiscal a partir de 2015.

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