PF vasculha sede do PP no Piauí em investigação sobre Ciro Nogueira

Nogueira concorre à reeleição e tem negado envolvimento em ilegalidades

Brasília

A Polícia Federal cumpriu nesta quinta (27) dois mandados de busca e apreensão em endereços ligados  ao senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do PP, em Teresina. Os investigadores vasculharam a sede do partido no estado e a casa de um funcionário da legenda. 

As informações foram confirmadas à Folha por pessoa com acesso ao caso, que tramita em sigilo.

Nogueira concorre à reeleição e tem negado envolvimento em ilegalidades sob investigação.

O senador Ciro Nogueira, presidente do PP, em seu gabinete em Brasília
O senador Ciro Nogueira, presidente do PP, em seu gabinete em Brasília - Pedro Ladeira - 06.abr.2016/Folhapress

As medidas foram autorizadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin em inquérito iniciado após a delação premiada de executivos da Odebrecht.

Estão em apuração crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa, supostamente praticados por empresários da empreiteira, políticos e doleiros. O funcionário alvo das buscas é suspeito de transportar propinas destinadas ao congressista.

A PF informou que as investigações, iniciadas a partir de acordos de delação premiada firmados por executivos da empresa com a Procuradoria-Geral da República, apontaram "os caminhos percorridos pelos valores que teriam sido desviados de obras públicas" para a companhia.

O advogado de Nogueira, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, divulgou nota na qual informa que seu cliente foi citado nas delações da UTC e da Odebrecht. Ele questionou as medidas da PF faltando pouco mais de uma semana para as eleições.

A delação da UTC, segundo o criminalista, deu ensejo a uma denúncia feita pela PGR que foi rejeitada pelo Supremo. "A outra delação, da Odebrecht, fez com que fosse aberto o Inquérito 4407 no Supremo. Essa delação, bastante conhecida, é antiga", comentou.

Kakay disse que o inquérito esta aberto no Supremo há 18 meses. "A defesa indaga o porquê de ser determinada busca e apreensão contra o PP há 10 dias das eleições. Obviamente, não havia necessidade e urgência para esta medida neste momento. Embora o senador não seja alvo da medida de busca, o prejuízo eleitoral é evidente. Mais uma vez enfrentamos a criminalização da politica, com o agravante que agora estamos em pleno processo eleitoral", criticou.

O advogado classificou a busca como uma "verdadeira intromissão do Poder Judiciário no processo eleitoral". "A defesa não se preocupa em absoluto com o que foi apreendido, mas denuncia o uso eleitoral que certamente se fará dessa decisão judicial inoportuna, inadequada e desmedida neste momento. A criminalização da politica tem que ser enfrentada em nome da normalidade democrática", acrescentou. 

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