Presidente do partido de Bolsonaro intervém no diretório paulista

Secretária-geral do PSL no estado é expulsa após divergências com núcleos da campanha federal

Igor Gielow
São Paulo

O presidente do PSL, Gustavo Bebianno, decidiu expulsar a secretária-geral do partido de Jair Bolsonaro em São Paulo, Letícia Catel, iniciando uma intervenção contra a ala crítica à sua atuação no órgão.

Presidente do PSL, Bebianno dá entrevista na porta do hospital Albert Einstein, em SP
Presidente do PSL, Bebianno dá entrevista na porta do hospital Albert Einstein, em SP - Bruno Rocha/Fotoarena/Agência O Globo

A crise interna atinge o principal diretório do PSL no país a pouco mais de uma semana da eleição e com o presidenciável ainda internado para recuperar-se da facada que tomou em Juiz de Fora no dia 6 passado. Mas não é algo imprevisto, dado o grau de fragmentação da campanha.

Letícia fazia parte de um grupo de voluntários que apoiam a campanha de Bolsonaro antes ainda que ela fosse materializada. Ela é amiga pessoal de Eduardo, filho do presidenciável que é candidato à reeleição como deputado federal por São Paulo.

Empresária de família abastada, ela dispensou salário no partido e assumiu diversos compromissos em nome de Bolsonaro. Se apresentava como assessora do candidato em reuniões sobre regras de debates eleitorais, por exemplo. 

Isso e o estilo independente, ressaltado por uma presença em mídias sociais na qual adota um discurso assertivo de direita e promove o porte de armas para defesa pessoal, levaram a críticas internas.

O presidente do PSL em São Paulo, o candidato a senador Major Olímpio, estava entre os que desautorizavam constantemente as movimentações de Letícia.

Um aliado próximo de Bolsonaro, o ruralista Nabhan Garcia, ficou irritado com o relato de que ela o teria criticado por supostamente procurar auxílio de empresários para custear o transporte de Bolsonaro por UTI aérea para São Paulo. A versão foi comentada por aliados de Bolsonaro, mas Catel não foi localizada para confirmar ou não a crítica.

Garcia disse que nem ele, nem a União Democrática Ruralista que preside, pagaram contas de Bolsonaro. "É uma afirmação caluniosa de quem tomou um pé no traseiro e não se conforma. Ela quis ocupar um espaço na campanha que não era dela", afirmou.

Sua tentativa de centralizar as discussões de comunicação em grupos de WhatsApp foi vista por Bebianno como uma sublevação. O presidente do partido já enfrentou diversos atritos na campanha, antagonizando-se ora com os filhos de Bolsonaro, ora com apoiadores que reclamam de sua blindagem do acesso ao candidato.

Bebianno mudou-se temporariamente do Rio para São Paulo só para acompanhar, fisicamente, o controle de entrada de visitantes que procuram Bolsonaro no Hospital Albert Einstein, de onde deverá ter alta na sexta-feira (28). Neste caso, contudo, ele está alinhado com outros núcleos da campanha do presidenciável, que criticavam Letícia.

Outros voluntários que trabalham no PSL-SP poderão deixar o partido também, embora haja ainda conversas para tentar recompor as pontes e reintegrar Letícia ao partido.

Nenhum deles, inclusive a ex-secretária-geral, indicou que deixará de apoiar Bolsonaro. Consideram, em conversas reservadas, que Bebianno age de forma ditatorial em busca de poder interno, mas por ora evitam críticas públicas por entender que isso fragilizaria a campanha.

Todos os envolvidos na crise foram procurados pela reportagem, mas não atenderam ligações e mensagens.

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