Principal assessor de Kassab vira réu sob acusação de enriquecimento ilícito

A ação proposta no final do ano passado teve origem na delação da Odebrecht

Mario Cesar Carvalho
São Paulo

Principal assessor do ministro Gilberto Kassab (PSD) na pasta de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicação, Elton Santa Fé Zacarias tornou-se réu por improbidade administrativa numa ação em que é acusado de ter recebido R$ 200 mil de propina da Odebrecht em 2011. Ele é acusado de enriquecimento ilícito.

O assessor foi secretário de Habitação e de Infraestrutura Urbana e presidente da SP Obras na época em que Kassab (PSD) ocupou a Prefeitura de São Paulo, entre 2006 e 2012.

A ação contra Zacarias, proposta no final do ano passado, teve origem na delação da Odebrecht. A empresa relatou no acordo de delação que o então secretário pediu e recebeu R$ 200 mil de suborno para autorizar a empresa a montar um canteiro de obras no túnel que seria construído para ligar a avenida Roberto Marinho com a rodovia Imigrantes.

Segundo delatores da Odebrecht, o dinheiro foi entregue no gabinete de Zacarias. Ele assinou o contrato do túnel em dezembro de 2011 como presidente da SP Obras.

A implantação do canteiro permitia que a empresa começasse a receber pela obra. Delatores dizem que os R$ 200 mil correspondiam a 5% do que a empresa receberia pelas primeiras medições da obra (R$ 4 milhões, ainda de acordo com delatores).

A construção do túnel, um projeto de R$ 2,4 bilhões, foi cancelada pelo ex-prefeito Fernando Haddad (PT) em 2013. Haddad dizia que havia suspeitas de superfaturamento.

O juiz Fausto José Martins de Souza, que tornou Zacarias réu, também homologou um acordo da Odebrecht no qual a empresa se dispôs a pagar R$ 400 mil (o dobro do valor da suposta propina paga Zacarias) para a prefeitura a título de indenização. O acordo foi negociado pelo promotor Silvio Marques, que também ingressou com a ação contra Zacarias.

A decisão do juiz é da última terça (11).

Na véspera, Kassab tornou-se réu numa ação de improbidade sob acusação de ter recebido R$ 21,3 milhões da Odebrecht via caixa dois.

Questionada pela Folha, a assessoria do ministério diz que o assessor de Kassab "não cometeu qualquer ilegalidade e irá provar ainda durante a instrução processual que não houve atos ilícitos". Segundo o ministério, "o procedimento adotado pela Justiça nesta semana se refere a acolhimento para apuração de fatos, e será objeto de defesa".

Kassab não irá afastar Zacarias pelo fato de ele ter-se tornado réu, de acordo com a assessoria.

A defesa de Kasssab também irá recorrer na ação em que ele se tornou réu e diz que o ministro provará que é inocente e que a delação da Odebrecht é infundada.

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