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Eleições 2018

Queda de Marina, mais azul que verde, surpreende

Haddad tem espaço para crescer e chegar ao segundo turno, mas pode perder para Bolsonaro com voto antipetista

Marcelo Leite

Mesmo quem não se preocupa com o ambiente terá sido surpreendido pelo mau desempenho de Marina Silva (Rede) na última pesquisa Datafolha. Houve raros movimentos fora da margem de erro, e um foi sua queda de 16% para 11% das intenções de voto para presidente.

Não faltam más notícias para Marina. Ela tem o segundo maior índice de rejeição (29%), mesmo entre mulheres (27%) –aliás, ela despencou nesse segmento em que mais apostou, caindo de 19% a 12% das preferências femininas.
 
Seus eleitores são pouco convictos (71% declaram que ainda podem mudar de voto). Até na região Norte a política acreana viu as intenções de voto recuarem de 23% para 13%.

 
A candidatura verde derrete. De pouco valeu o bom desempenho em desfazer as imagens de fragilidade, ao arrostar Jair Bolsonaro (PSL) no debate de TV, e de abraçadora de árvores, ao dar show de ponderação em sabatina na Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
 
Há várias hipóteses. Uma: tempo de TV conta muito, e Marina tem só 21 segundos para desfiar suas frases longas e pausadas. Outra: eleitores podem ter notado a fragilidade de seu partido.
 
Simpatizantes à esquerda se ressentem do que chamariam de guinada neoliberal, atestada pelo apoio a Aécio Neves (PSDB) em 2014 e, agora, pela perda de espaço da agenda ambiental em seu programa. No afã de abjurar a seita verde, pode ter alienado membros da congregação.
 
Já Ciro Gomes (PDT) nada de braçada na centro-esquerda. Conta com rejeição menor (20%) e eleitores mais fiéis (42% não tencionam mudar a escolha).
 
O ex-ministro viu a rejeição cair entre mulheres (de 21% para 16%), reflexo talvez da escolha de Kátia Abreu para vice, e já carreia mais votos de simpatizantes do PT (18%) que a concorrente da Rede (10%).
 
Marina segue competitiva num segundo turno contra Bolsonaro mais por demérito dele (rejeição de 43%). Ciro e Geraldo Alckmin (PSDB), embolados com ela na vice-liderança das intenções para a primeira votação, também derrotariam o mito na volta seguinte.
 
A prosseguirem as tendências do momento, porém, são quase nulas as chances de Marina chegar ao segundo turno. E aumentam as de Fernando Haddad (PT): antes mesmo de ser ungido por Lula nesta terça-feira (11), o ex-prefeito paulistano passou de 4% a 9% das intenções de voto, portanto além da margem de erro.
 
Bastaram dez dias de programa eleitoral para o vice Haddad entrar no segundo pelotão, mesmo sem o “dedazo” de Lula. Consagrado, supõe-se que seguirá crescendo, pois um terço do eleitorado ouvido na pesquisa se dispõe a votar em quem o ex-presidente indicar.
 
É bem possível que Haddad vá ao segundo turno contra Bolsonaro, tirando votos de Ciro e Marina. Por outro lado, é o candidato menos competitivo no confronto direto com o ex-capitão (39% e 38%, respectivamente, um empate técnico).
 
O petista tem rejeição de 22%, similar à de Ciro, mas carrega o peso dos 49% que dizem não votar de jeito nenhum no candidato de Lula. Eis um cenário para tirar o sono de muitos: Haddad chega ao segundo turno e perde para Bolsonaro.

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