Descrição de chapéu Eleições 2018

A dois dias da eleição, Haddad e Ciro mudam estratégia para chegar ao 2º turno

Petista substitui ato no ABC por caminhada na Bahia; Ciro ataca ex-prefeito para atrair eleitor de esquerda

Rio de Janeiro e São Paulo

Na antevéspera da eleição, os últimos dados do Datafolha provocaram realinhamentos nas principais candidaturas à Presidência da República.

O candidato Fernando Haddad (PT) reviu a estratégia do último dia antes do primeiro turno e decidiu focar, mais uma vez, o eleitorado nordestino, tradicional reduto lulista.

Ciro Gomes (PDT) voltou as baterias contra o petista, na tentativa de avançar sobre o eleitorado de esquerda com o apelo da terceira via.

Líder isolado nas pesquisas, Jair Bolsonaro (PSL) procura estimular a onda que impulsiona sua candidatura na reta final para obter vitória já no domingo (7).

O capitão reformado diz querer evitar desgastes em eventual segundo turno contra o PT --cenário em que o Datafolha detectou empate técnico entre os postulantes. 

A pesquisa Datafolha de quinta-feira (4) mostrou Bolsonaro com 39% dos votos válidos, a 11 pontos percentuais do patamar necessário para a vitória no primeiro turno. Haddad, com 25% dos votos válidos, permaneceu na segunda posição isolada. 


O cenário provocou mudança de planos no QG petista.

Em vez de participar de um evento no ABC paulista, berço político do ex-presidente Lula, como era o plano inicial, Haddad fará neste sábado (6) uma caminhada em Feira de Santana, na Bahia, ao lado de Jaques Wagner, candidato ao Senado, e do governador Rui Costa, que disputa a reeleição com altos índices de popularidade.

Como mostrou a Folha, petistas reconheceram falha na tática política da campanha, que poupou Bolsonaro, e deram ordem para que Haddad vá ao ataque. 

Além disso, o objetivo era viajar pelo Sudeste nos últimos dois dias antes da votação, região onde o capitão reformado tem bom desempenho, inclusive entre o eleitorado mais pobre, que tradicionalmente votava no PT.

Pesquisas, porém, mostraram que o avanço de Bolsonaro se manteve inclusive sobre o eleitorado lulista no Nordeste, e a campanha resolveu pela mudança de rota. O candidato do PSL cresceu quatro pontos na região na última semana, segundo o Datafolha.

Diante das dificuldades de Haddad, Ciro mira a campanha petista para tentar obter um crescimento de véspera 

Em visita relâmpago debaixo de chuva à favela da Rocinha, na zona sul do Rio de Janeiro, o pedetista elogiou o caráter de Haddad, mas se apresentou como o único capaz de vencer o candidato do PSL.

"Haddad disputou a última eleição há dois anos e perdeu para um farsante como o [João] Doria. Ele não é má pessoa. Isso não diz nada contra a dignidade dele. Mas diz sobre a personalidade dele, que talvez não tenha 'punch', não tenha energia, não tenha autoridade nem a marra para enfrentar essa onda fascista que está tomando conta do Brasil", afirmou Ciro.

Ele ficou cerca de 15 minutos na Rocinha, sem sair da entrada da via Ápia --uma das principais ruas de acesso à favela. Subiu num pequeno carro de som e discursou por dois minutos.

"Só a minha candidatura pode salvar o Brasil do precipício, do preconceito, da violência que vai levar o país para o abismo", afirmou.

O candidato do PDT aparece em terceiro lugar nas pesquisas, com 13% das intenções de votos válidos.
Ele classificou como "completamente provável" uma virada sobre o petista.

"Estou me deslocando e pedindo a bola. É só olhar o que aconteceu nas pesquisas das eleições passadas. Nesse dia, o segundo turno nas eleições passadas era entre Marina [Silva] e Dilma [Rousseff]", afirmou Ciro.

Diante da estagnação, com 9% dos votos válidos, em empate técnico com o pedetista, o candidato Geraldo Alckmin (PSDB) preferiu não fazer movimentos bruscos.

Sujeito a críticas de tucanos e aliados, o ex-governador paulista manteve a estratégia de se colocar como alternativa moderada entre dois extremos, Haddad e Bolsonaro.

Nos últimos dias, avolumaram-se comentários de que Alckmin deveria ter mirado prioritariamente o petista, para se beneficiar da rejeição ao ex-presidente Lula e seu partido. No entanto, a sua campanha considerou necessário desconstruir Bolsonaro. 

Avaliou-se a posteriori que, com isso, boa parte do eleitorado de direita que costumava votar no PSDB se sentiu mais representada pelo capitão reformado, que atacou sem parcimônia o petismo.

No debate da TV Globo, na quinta, e de novo na sexta (5), Alckmin manteve o discurso. "O eleitor é que vai procurar nestes últimos dias ver quem tem mais chance aí para a terceira via, para a gente sair do radicalismo no segundo turno", disse, no Rio de Janeiro.

Com seguidas adesões, de classes artística, empresarial e política, Bolsonaro programou a última transmissão ao vivo nas redes sociais antes do primeiro turno para pedir votos para aliados que disputam vaga no Congresso.

Em posição confortável, ele agora se concentra em compor uma bancada de apoio no Congresso Federal.
O candidato teme que a cláusula de barreira, que já entra em vigor nessa eleição, dificulte a vitória de deputados do PSL. Ele tem pedido aos apoiadores que votem nos candidatos e não apenas na legenda.

Em campana em frente à sua casa, na Barra da Tijuca, no Rio, apoiadores do candidato a presidente inflaram um Pixuleco com uma foto de Haddad.

Um grupo de 15 pessoas usa um boneco inflável do ex-presidente Lula vestido de presidiário para arrancar buzinas de apoio. Vuvuzelas, buzinas e camisetas verdes e amarelas marcam a manifestação. 

Marina Dias, Italo Nogueira , Thais Bilenky e Talita Fernandes

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