Descrição de chapéu Eleições 2018

Aécio, Renan, Jader e mais 32 alvos da Lava Jato se elegem

Outros 47 investigados na operação acabaram derrotados no pleito

Romero Jucá, que não se reelegeu, Renan Calheiros e Jader Barbalho
Os senadores Renan Calheiros e Jader Barbalho - Pedro Ladeira - 20.mai.15/Folhapress
Felipe Bächtold
São Paulo

O desgaste com delações e menções na Lava Jato não impediu que aos menos cinco réus, 24 investigados e seis denunciados fossem eleitos nas eleições deste domingo (7) pelo país.

Outros cinco alvos da operação vão ainda disputar o segundo turno.

Na lista de eleitos, estão políticos que foram intensamente alvejados na Lava Jato, como os senadores reeleitos Renan Calheiros (MDB), em Alagoas, e Ciro Nogueira (PI), no Piauí, que chegou a ser alvo de buscas já na reta final da campanha, em desdobramento da delação da Odebrecht.

O veterano Jader Barbalho (MDB) foi o mais votado para o Senado no Pará.

Houve ainda dois investigados que conseguiram se eleger, mas foram "rebaixados": os hoje senadores Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Aécio Neves (PSDB-MG), que, desgastados pelas investigações, decidiram concorrer a deputado federal. Gleisi, presidente nacional do PT, foi a terceira mais votada em seu estado.

A reportagem levantou entre os candidatos ao menos 18 réus (em ações penais, cíveis ou eleitorais), 12 alvos de acusações já concluídas no Ministério Público (denúncias apresentadas ou ações de improbidade) e outros 57 com investigações em andamento com relação à operação iniciada no Paraná.

A maior parte envolve desdobramentos das "listas de Janot", como ficaram conhecidos os inquéritos pedidos pelo então procurador-geral da República em decorrência das delações da Lava Jato.

Essas candidaturas foram mais favorecidas com recursos do fundo eleitoral, já que os partidos direcionaram mais dinheiro a políticos com mandato ou mais conhecidos.

Com o novo entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre o foro especial, parte das investigações e procedimentos sobre esses políticos vem sendo enviada a instâncias inferiores nos estados. 

Entre os 47 alvos da operação que concorreram e foram derrotados, há nomes de primeira grandeza da política nacional, como a ex-presidente Dilma Rousseff (duas vezes denunciada pela Procuradoria-Geral da República), o ex-governador paranaense Beto Richa, que chegou a ser preso durante a campanha, e o atual presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE).

A lista inclui ainda o senador Romero Jucá (MDB-RR), líderes tucanos, como Cássio Cunha Lima (PB) e Marconi Perillo (GO), e petistas conhecidos do Congresso, como Marco Maia (RS) e Lindbergh Farias (RJ).

Réu em ação penal aberta pelo juiz Sergio Moro, o ex-deputado Cândido Vaccarezza, que era do PT e agora está no Avante, tentou voltar à Câmara dos Deputados e fez apenas 5.200 votos em São Paulo

Ao longo da campanha, houve críticas a iniciativas de autoridades ligadas à operação que atingiram candidatos em plena eleição. Faltando um mês para o primeiro turno, os presidenciáveis Geraldo Alckmin (PSDB) e Fernando Haddad (PT), por exemplo, foram alvos, respectivamente, de ação de improbidade e de denúncia, derivadas de delações de empreiteiras.

No Rio de Janeiro, além dos investigados que sofreram reveses nas urnas, filhos de dois dos principais presos da Lava Jato também acabaram não eleitos. O deputado federal Marco Antonio Cabral (MDB), filho do ex-governador Sérgio Cabral, não foi reeleito, e Danielle Cunha (MDB), filha do ex-deputado Eduardo Cunha, foi derrotada. Danielle havia obtido R$ 2 milhões do MDB do Rio, via fundo eleitoral, para financiar sua campanha. 

Outros 11 políticos que são réus no Supremo Tribunal Federal, em casos não ligados à Lava Jato, disputaram a eleição. Desses, oito foram derrotados, como André Moura (PSC), líder do governo Michel Temer no Congresso, que tentou o Senado em Sergipe, Sebastião Bala Rocha (PSDB-AP), que concorreu ao Senado, e Alberto Fraga (DEM), que ficou em sexto lugar na disputa pelo governo do DF.

O deputado federal Silas Câmara (PRB) foi um dos mais votados do Amazonas.

 

RÉUS DA LAVA JATO ELEITOS

- Aécio Neves (PSDB-MG) 
eleito deputado federal e réu em ação penal no STF

- Arthur Lira (PP-AL)
eleito deputado federal e réu em ação de improbidade no Paraná

- Eduardo da Fonte (PP-PE)
eleito deputado federal e réu em ação penal no STF

- Mário Negromonte Jr. (PP-BA)
eleito deputado federal e réu em ação de improbidade no Paraná

- Vander Loubet  (PT-MS)
eleito deputado federal e réu em ação penal no STF

DENUNCIADOS PELA PGR ELEITOS

- Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) - Câmara

- Ciro Nogueira (PP-PI) - Senado

- Gleisi Hoffmann (PT-PR) - Câmara

- Jader Barbalho (MDB-PA) - Senado

- Odair Cunha (PT-MG) - Câmara

- Renan Calheiros (MDBL-AL) - Senado

OUTROS INVESTIGADOS QUE NÃO SE ELEGERAM

- Edison Lobão (MDB-MA) - Senado

- Garibaldi Filho (MDB-RN) - Senado

- Benedito de Lira (PP-AL) - Senado

- Lúcio Vieira Lima (MDB-BA) - Câmara

- Raimundo Colombo (PSD-SC) - Senado

- José Otávio Germano (PP-RS) - Câmara

- Jorge Viana (PT-AC) - Senado

Colaborou Joelmir Tavares, de São Paulo

Erramos: o texto foi alterado

Diferentemente do informado em versão anterior desta reportagem, Agripino Maia não foi eleito no Rio Grande do Norte. Os alvos da Lava Jato eleitos são 35.

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