Descrição de chapéu Eleições 2018

Bolsonaro é parabenizado por presidentes de direita da América Latina

Regime da Venezuela não felicita eleito e pede respeito nas relações entre os dois países

Homem está de costas, com uma máscara de Bolsonaro na cabeça e enrolado na bandeira do Brasil. Ao fundo, o prédio da Fiesp.
Seguidor do presidente eleito Jair Bolsonaro tira foto do painel com a bandeira brasileira na sede da Fiesp na avenida Paulista - Miguel Schincariol/AFP
Diego Zerbato
São Paulo

O presidente eleito Jair Bolsonaro foi parabenizado pela vitória na eleição deste domingo (28) pelos mandatários de centro-direita e de direita da América Latina, enquanto os líderes de esquerda tiveram diferentes posições.

Os primeiros a felicitarem o capitão reformado foram os presidentes do Chile, Sebastián Piñera, e do Paraguai, Mario Abdo Benítez, que já haviam feito elogios públicos e dado seu apoio após o primeiro turno da eleição.

“Parabenizo o povo brasileiro por uma eleição limpa e democrática. Parabenizo Jair Bolsonaro por sua grande vitória eleitoral. Convido-o a visitar o Chile e tenho certeza de que trabalharemos com vontade, força e visão de futuro em prol do bem-estar dos nossos povos e a integração”, disse o centro-direitista chileno.

Piñera havia elogiado Bolsonaro no dia 8: “Os sinais que está dando no sentido de promover sua abertura, reduzir o déficit fiscal, o tamanho do setor público com privatizações são coisas que um país como o Brasil precisa.”

A política econômica a ser conduzida por Paulo Guedes, egresso da Universidade de Chicago, é inspirada em parte na realizada na ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990) por José Piñera, irmão do atual presidente.

O elogio foi criticado por partidos centristas governistas e pela oposição centrista e de esquerda. Dez dias depois, Bolsonaro receberia a senadora Jacqueline van Rysselberghe, da direitista União Democrata Independente (UDI), aliada de Piñera.

No dia 22, o então candidato do PSL conversaria com o presidente do Paraguai, o direitista Mario Abdo Benítez, conhecido como Marito. Na ligação, os dois se comprometeram a fortalecer a relação entre os dois países.

“Muitas felicidades ao povo do Brasil e a seu presidente eleito Jair Bolsonaro por esta eleição. Queremos trabalhar juntos por democracias mais sólidas na região, com instituições fortalecidas e sempre buscando a prosperidade de nossos povos!”, disse Benítez neste domingo (28).

Os dois têm em comum o apoio às ditaduras em seus países e o passado militar. O apelido se deve ao fato de ser filho de Mario Abdo Benítez, braço-direito de Alfredo Stroessner. Ele também foi paraquedista do Exército.

Bolsonaro recebeu saudações também dos mandatários de três maiores países da região. “Desejo que trabalhemos logo juntos pela relação entre nossos países e o bem-estar de argentinos e brasileiros”, declarou o centro-direitista Mauricio Macri.

“Em nome do povo e do governo do México parabenizo Jair Bolsonaro por sua eleição, em uma jornada exemplar que reflete a força democrática desse país”, disse o presidente mexicano, Enrique Peña Nieto (centro-direita).

“Parabéns a Jair Bolsonaro, o novo presidente do Brasil, eleito democraticamente. Nosso desejo para que essa nova etapa do país vizinho seja de bem-estar e de união. Esperamos continuar nossa relação de irmandade para fortalecer vínculos políticos, comerciais e culturais”, afirmou o presidente da Colômbia, o direitista Iván Duque.

Somaram-se ao grupo o presidente do Peru, o centro-direitista Martín Vizcarra: “Desejo os maiores sucessos para sua gestão. Expresso minha disposição de trabalhar juntos para aprofundar nossa fraterna relação bilateral.”

E o hondurenho Juan Orlando Hernández: “Parabenizo o presidente eleito do Brasil Jair Bolsonaro por sua vitória eleitoral contundente na grande festa cívica e democrática que viveu o povo brasileiro. Nossos maiores desejos.”

Na mesma linha foi o centro-esquerdista Lenín Moreno, presidente do Equador: “Parabéns ao povo brasileiro por este novo marco democrático. Os melhores desejos para seu novo presidente Jair Bolsonaro. Esperamos fortalecer os tradicionais laços de amizade e trabalho entre as duas nações.” 

O secretário-geral da OEA, o uruguaio Luis Almagro, disse que o presidente eleito pode contar com a organização para trabalhar conjuntamente pela democracia, os direitos humanos, a segurança e o desenvolvimento da região. 

"Parabenizamos o povo brasileiro pela jornada eleitoral de hoje. Saudamos o presidente eleito Jair Bolsonaro e aplaudimos sua mensagem de verdade e paz."

Regime da Venezuela pede respeito e não dá parabéns a Bolsonaro ​

A ditadura de Nicolás Maduro parabenizou a população brasileira pela eleição presidencial deste domingo, mas não estendeu as felicitações ao presidente eleito Jair Bolsonaro, a quem pediu relações de respeito.

“O presidente da República [...], em nome do povo e do governo venezuelano, estende suas sinceras felicitações ao povo [...] devido à celebração cívica do segundo turno [...] no qual resultou eleito o candidato Jair Bolsonaro como presidente deste país”, disse, em nota.

“O governo bolivariano aproveita a oportunidade para exortar o novo presidente eleito do Brasil a retomar, como países vizinhos, o caminho das relações democráticas de respeito, harmonia, progresso e integração regional, pelo bem-estar de nossos povos.”

O regime ainda diz que deseja trabalhar com “o povo brasileiro na luta por um mundo mais justo, multicêntrico e multipolar, no qual prevaleça a livre autodeterminação dos povos e e a não ingerência em assuntos internos”.

Bolsonaro fez campanha associando a Venezuela ao ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, do PT, partido que manteve apoio de Maduro. O presidente eleito chegou a sugerir a necessidade de uma intervenção militar para dar fim à crise no país vizinho, mas voltou atrás na semana passada.

Por outro lado, o regime venezuelano fazia campanha aberta em seus meios de comunicação a favor de Haddad.

Entre os vizinhos brasileiros, ainda não se manifestaram os presidentes do Uruguai, o centro-esquerdista Tabaré Vázquez, e da Bolívia, o esquerdista Evo Morales.

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