Descrição de chapéu Eleições 2018

Ciro intima Bolsonaro para debate e o chama de 'nota de três reais'

Pedetista também falou da possibilidade de união com Marina Silva e Geraldo Alckmin

Géssica Brandino
São Paulo

O candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, intimou Jair Bolsonaro (PSL) a comparecer ao debate que será promovido pela Rede Globo nesta quinta-feira (4). E também comentou sobre rumores de uma possível chapa de centro com Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (Rede).

"Aqui é uma democracia que vai sobreviver a você e eu vou tirar a sua máscara. Você não pode deixar de ir ao debate. Você está mentindo e atestado médico falso é crime. Vá ao debate da Globo e vou mostrar que você é uma cédula de três real (sic)", afirmou.

Ciro disse que recebeu ontem as regras do debate da emissora, que precisaram ser adaptadas após a confirmação de que Bolsonaro não vai participar. O candidato falou ainda que cogita processar os médicos do rival caso tenham emitido atestado para o deputado.

O candidato à Presidência pelo PDT, Ciro Gomes, fala para militantes no diretório regional do partido, em São Paulo
O candidato à Presidência pelo PDT, Ciro Gomes, fala para militantes no diretório regional do partido, em São Paulo - Marcelo Justo/Folhapress

"O camarada passa esse tempo todo doente, viaja em voo de carreira. Se ele tiver recomendação médica, vou processar o médico que estiver dando atestado médico falso pra ele, porque ele está absolutamente pronto para o debate", declarou.

Ciro participou de ato no diretório do PDT em São Paulo nesta quarta-feira (3).

Após a nova pesquisa Datafolha, em que segue estagnado com 11% das intenções de voto, enquanto Bolsonaro chegou a 32%, ele voltou a fazer um apelo contra o voto útil, dizendo que a decisão não pode ser transferida para os institutos de pesquisa.

O pedetista disse novamente que num país em que até congressista se vende, não é possível garantir que não haja desvios no levantamento dos dados.

Apesar de afirmar que a mobilização de mulheres neste sábado (29) contra Jair Bolsonaro, que usou a hashtag #Elenao, foi "a coisa mais linda que aconteceu nesta campanha", Ciro disse que o movimento acabou alimentando o cenário de polarização no país.

Segundo ele, o uso do slogan foi um erro, pois o movimento deixou de fazer a defesa de seus candidatos e acabou dando visibilidade a Bolsonaro. 

"Quando dizemos 'Ele não' estamos dando a ele o centro da preferência. Não tem 'ele não' na urna. O que tem na urna é 12 e aí 12", afirmou, citando ainda o número de Fernando Haddad (PT) e Marina Silva (Rede) e chamando a população para ir às ruas defender seus candidatos.

Chapa de centro

Ao ser questionado sobre rumores de que possa encabeçar uma chapa com Alckmin e Marina, o candidato respondeu que não gosta de oportunismos, mas se disse honrado.

"Não gosto mesmo de oportunismos. Me honra muito a ideia de que eu possa ser o estuário de todos, mas não posso cometer a indelicadeza, sendo eu candidato, de pedir a ilustres adversários que afinal pensam diferente de mim, têm histórias diferentes da minha, projetos diferentes dos meus— que eles abram mão de suas respectivas candidaturas", declarou.

Caso fosse procurado pelos candidatos, ele disse que evidentemente aceitaria o apoio de ambos.

"Evidentemente que aceitaria sim. A tarefa agora é proteger a democracia brasileira. Oferecer ao Brasil uma saída esperançosa em que a gente não vote contra A ou contra B, mas sim a favor do Brasil", afirmou. 

Ciro também respondeu à manifestação de seus militantes, que pediram em carta na internet para eleitores de Marina e Alckmin optarem por ele. O pedetista disse pedir na verdade os votos dos brasileiros indecisos, que votam em Bolsonaro contra o PT e no PT contra Bolsonaro. 

O presidenciável disse que está disposto a incorporar praticamente todos os pontos do programa de Marina, exceto a questão da autonomia do banco central, ideia que atribuiu a uma "banqueirada" que está no entorno da candidata. 

De Alckmin, disse que copiaria algumas coisas. "O IVA é muito fácil, porque ele copiou de mim. Tá num livro meu, de 1995. Não é que ele copiou, porque certamente é uma boa ideia para o Brasil", disse, admitindo que se inspirou em práticas internacionais.

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