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José Manuel Diogo: Dia D. Plano B.

José Manuel Diogo
Lisboa

Bolsonaro vai ser bom para a economia do Brasil, independentemente de isso ser mau para muitos brasileiros. Por muito que custe àqueles que praticam a narrativa da democracia a todo o custo, a vitória do ex-capitão vai fazer aumentar a confiança dos investidores e melhorar o ambiente econômico no Brasil. O efeito que os resultados do primeiro turno tiveram na Bolsa de Valores e no Real são prova disso.

Pode até ser que Bolsonaro, porque é o único capaz de afastar o PT do poder, seja apenas um instrumento conveniente para fazer regressar ao poder os grandes empresários brasileiros e uma fachada para aqueles que, porque durante décadas não quiseram saber do seu país, são os verdadeiros responsáveis pela tragédia social em que o Brasil hoje se encontra.

No início deste ano, Jair Bolsonaro era tão extraterrestre que nenhum dos seus adversários o considerava. Então a esperança dos “homens de negócios” brasileiros recaía sobre o apresentador Luciano Huck, uma das estrelas da rede de televisão da Globo e homem de grande popularidade em todo o país.

O candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro
O candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro - Ricardo Moraes/Reuters

​Quando ele desistiu de se candidatar à Presidência, oficialmente porque, segundo as sondagens, não tinha chance de ganhar, um dos seus grandes apoiantes, e quem mais o impulsionou a candidatar-se, era o economista e banqueiro Paulo Guedes.

Huck fora de jogo, Guedes declarou apoio a Bolsonaro a tornou-se o seu homem forte para os assuntos econômicos. Agora será o mais que provável Ministro da Fazenda em caso de vitória do ex-capitão e, por isso, um dos homens mais poderosos e influentes no futuro do Brasil.

Esta teoria, que pode até estar certa, como defendem muitos dos brasileiros, democratas insuspeitos, que a utilizam para justificar o seu voto no ex-capitão, tem um enorme perigo.

Verdadeiramente, ninguém sabe qual o efeito que o poder vai ter sobre a personalidade errônea e truculenta de Jair Bolsonaro; nem o que ele vai fazer quando o povo o colocar na mais importante cadeira do Planalto. Esse é um mistério a quem ninguém sabe responder.

Por mais que Bolsonaro possa ser uma figura de pacotilha ou um vilão de banda desenhada, o poder tudo transforma. Depois que ele ganhar nada será como antes. Que o diga Lula da Silva quando pensou que Dilma seria um excelente avatar.

O pior pode sempre acontecer quando no dia D só há plano B.

Global Media
José Manuel Diogo

Diretor de Negócios Internacional do grupo Global Media

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